Ricardo Moraes/Reuters - 10/9/2015
Ricardo Moraes/Reuters - 10/9/2015

Nem paraíso, nem inferno

Dólar abaixo de R$ 5 reais é uma lição perfeita da futilidade que é fazer análise econômica de torcida

J.R.Guzzo, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2022 | 15h05

Aconteceu: o dólar, que já andava voando baixo, foi negociado por menos de R$ 5 nestes últimos três dias, incluindo hoje. O Brasil, então, deve ter chegado ao paraíso, pois todos os economistas, analistas de banco e comunicadores da área econômica asseguravam que o dólar alto era o inferno. Mas é óbvio que o Brasil não subiu a paraíso nenhum de três dias para cá, certo? O que aconteceu, então? Aconteceu que também não tinha caído no inferno quando o dólar estava mais alto – e que você apenas perdeu o seu tempo se ficou prestando atenção aos atestados de desgraça perpétua que enchem todos os dias o noticiário econômico deste país.

As notícias sobre a queda do dólar são apresentadas com o máximo de discrição, e sem comentário; dólar em queda é o contrário de nervosismo econômico, e isso não é um fato que se encaixa no noticiário economicamente correto. De qualquer forma, é um fato que está aí – o dólar, como sempre, está valendo o que vale, e ignora, também como sempre, o que os economistas da universidade acham dele. Sua queda, agora, não é mérito do governo, assim como suas altas não são culpa dele; ela quer dizer, unicamente, que está sobrando dólar no Brasil, e que a oferta é maior que a procura. Está sobrando dólar, no momento, porque a entrada de investimento estrangeiro, a começar pela Bolsa de Valores, está batendo recordes.

O dólar abaixo de R$ 5 reais é uma lição perfeita da futilidade que é fazer análise econômica de torcida. A Confederação Nacional da Calamidade torce diariamente por uma crise fatal – recessão, inflação, desemprego, falência de tudo, ruína, fome. Acha que assim fica mais fácil o seu candidato ganhar a eleição para presidente da República. Mas o Brasil não está em crise. Naturalmente, vão continuar insistindo que está; é inevitável, quando o noticiário econômico se transforma em parte do noticiário eleitoral. Mas é inútil. O que tem de acontecer vai acontecer.

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