Nem o PSDB foi tão cínico ao barrar a CPI, diz procurador Luiz Francisco

O procurador da República Luiz Francisco de Souza, notório aliado do PT na oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso, está desiludido com o que ele chama de governo "neoliberal" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à revista "Opinião Socialista", do esquerdista PSTU, ele critica o "cinismo" do PT ao não indicar nomes para a CPI do caso Waldomiro, acusa o ministro da Casa Civil, José Dirceu, de transformar a CPI do Banestado em "morta viva" e diz que a política econômica do ministro da Fazenda, Antonio Palocci é "genocida" por não dar um calote na dívida externa e no FMI.Luiz Francisco imagina que o PT e o PSDB fizeram um acordo no ano passado para engavetar duas CPIs: a do cartão de saúde, que, segundo ele, poderia atingir o ex-ministro da Saúde, José Serra, e a de Santo André, para investigar a morte do prefeito Celso Daniel. Segundo o procurador, a articulação do governo para barrar a CPI do Waldomiro se insere nesta estratégia. Ele acha que o governo está fazendo um "loucura" ao impedir as investigações parlamentares sobre o ex-assessor de Dirceu. "Nem os tucanos nesse ponto chegaram ao grau de cinismo de querer impedir uma CPI, quando tinha assinaturas pra isso. Se a tese vingar, não vai ter mais CPI. É uma tese obscena", afirma. O procurador afirma também que o governo petista, em vez de combater a lavagem de dinheiro na CPI do Banestado, fez o Banco Central editar a circular 3.187 que, para ele, facilita o envio de capitais ao exterior. Ele diz que lutou "feito doido" para instalar a CPI do Banestado para acabar com as contas CC5, usadas pelos brasileiros não residentes no País. "Meu objetivo era pegar toda a classe dominante que tem conta lá fora, mais de cem mil pessoas e uma porção de políticos. A CPI virou morta viva, por conta do (relator) José Mentor (PT-SP), que é homem do seu José Dirceu", diz.Para Luiz Francisco, a política econômica comandada por Palocci está "atrelada ao capital internacional volátil e é genocida". "Eu defendo a auditoria (na dívida externa) e o conseqüente não pagamento. Romper com o FMI, com a Alca. Esse era o caminho que o Lula deveria desenvolver", recomenda.O procurador também acusa o governo de adotar uma relação política de "fisiologismo" com o Congresso e lamenta as alianças com os senadores José Sarney (PMDB-AC), Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e com o PP do ex-prefeito Paulo Maluf. "Isso eu não acreditava. Vale o ditado, dizem-me com quem andas e te direi quem és", diz na entrevista ao PSTU. Ele ainda não poupou a reforma do Judiciário em tramitação no Congresso. "A reforma do Judiciário, como está prevista, estabelece o controle do Palácio do Planalto e do governo sobre o Judiciário", afirma. A íntegra da entrevista está no endereço http://www.pstu.org.br/jornal.asp?id=1701#t.

Agencia Estado,

26 de março de 2004 | 10h16

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