Imagem Vera Magalhães
Colunista
Vera Magalhães
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Nem a ‘imunidade temporária’ salva

A pressa em julgar a ação da chapa Dilma-Temer no TSE desaparece com essa bomba

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 05h00

Na minha coluna de ontem, informei que a mudança de estratégia da defesa de Michel Temer no processo de cassação da chapa em que era vice de Dilma Rousseff se devia a duas razões: de um lado, a percepção de que haveria um placar favorável à tese de separação das responsabilidades de ambos pela campanha, e, de outro, a ideia de “tirar o problema da frente” dado o temor com o que estaria por vir nas delações premiadas de Joesley Batista e demais executivos do grupo JBS.

Havia informações de interlocutores do presidente de que o conteúdo desses acordos de colaboração implicaria não apenas o peemedebista quanto seu entorno político e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Não levou 24 horas para que o colunista Lauro Jardim revelasse que Joesley gravou o próprio Temer, em março deste ano, negociando o pagamento para comprar o silêncio de Eduardo Cunha — que, preso em Curitiba, desde sempre tem mandado ameaças veladas a Brasília.

A pressa em julgar a ação no TSE desaparece imediatamente com a nova bomba. A certeza de um placar de 5 a 2 pró-Temer rui diante da nova circunstância.

Nem o dispositivo constitucional que preservava Temer de ser investigado pelas acusações de ter negociado recursos de campanha pelo caixa 2 em 2010 e 2014 pode salvá-lo agora: trata-se do presidente da República, já investido do cargo, em sua residência oficial, flagrado em plena obstrução à Justiça. 

A nota oficial divulgada pela Presidência da República, negando as acusações, pode servir para agravar a situação de Temer: se flagrado mentindo diante da possível divulgação do teor da gravação, mais um elemento pode fomentar um esperado pedido de impeachment do presidente.

A delação da JBS, que fere de morte também o presidente do PSDB, Aécio Neves, deve paralisar ainda as reformas e provocar uma quebra da incipiente retomada da economia e da confiança no governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.