Nelson Jobim garante que não será candidato em 2010

No Roda Viva, ministro lamentou que senadores do PMDB tenham rejeitado secretaria para Mangabeira

Entrevista com

Paulo Maciel, da Agência Estado,

02 de outubro de 2007 | 06h28

O ministro da Defesa, o peemedebista Nelson Jobim, disse que não será candidato à Presidência da República em 2010. Ao ser perguntado sobre a possibilidade no programa Roda Viva, da TV Cultura, ele foi taxativo: "nem pensar. Eu sou candidato a voltar à minha advocacia." Ele respondeu ainda perguntas sobre Renan Calheiros, o PMDB e o caos aéreo. Jobim classificou como "lamentável" a rebelião de senadores do partido dele que rejeitaram medida provisória da criação da secretaria especial de Mangabeira Unger. "A contribuição que o professor Mangabeira está dando ao Ministério da Defesa é importantíssima", revelou. Durante a entrevista, o ministro da Defesa também defendeu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Curiosamente, na situação do Renan Calheiros, inverteu-se o ônus da prova", ponderou Jobim. PMDB Ainda sobre o caso Renan Calheiros, Jobim foi irônico ao responder ao colunista do jornal O Globo, Merval Pereira, que defendia que indícios de falta de decoro seriam suficientes para colocar o presidente do Senado na berlinda. "O fato é que isso é muito bom quando acontece com os outros", devolveu o ministro. "Nós sabemos perfeitamente o ônus que se paga pela inversão do ônus da prova." Ao mesmo tempo, o peemedebista minimizou a atuação do PMDB como um partido nacional. "Após a morte do doutor Ulysses, o PMDB se tornou uma confederação de partidos regionais", afirmou. Caos aéreo Para o ministro da Defesa, a crise da aviação civil brasileira foi provocada pela falta de coordenação entre os diversos órgãos governamentais que atuam no sistema, além da questão salarial dos controladores de vôo. "Houve principalmente uma espécie de desorganização do sistema. Ou seja, as entidades não conversaram entre si: Infraero, Anac e o próprio Conac", afirmou Nelson Jobim. E acrescentou "nós precisamos, via Conac, que é o órgão máximo do sistema, procurar maximizar o uso da infra-estrutura portuária a bem do consumidor." Questionado sobre a permanência do presidente da Anac, Milton Zuanazzi, no cargo, mesmo depois do anúncio da substituição de toda a diretoria do órgão como parte da reestruturação do sistema, Jobim indicou que a substituição seria só uma questão de tempo. "Só poderá haver uma renúncia da presidência no momento em que se tiver no mínimo três diretores designados", explicou. O ministro disse que dois deles inclusive já foram indicados. "E, por último, eu pretendo indicar a doutora Solange Vieira para ser a presidente da Anac." Forças Armadas Ainda durante a entrevista, Nelson Jobim pregou a necessidade de reequipar as Forças Armadas. Mas ressalvou que essa ação será feita paralelamente à definição de uma política estratégica de defesa do País. "A instrução do presidente Lula é no sentido de caminharmos para o reaparelhamento", garantiu. Ele justificou que o Brasil não terá condições de ser "árbitro" de contendas no continente se não puder demonstrar força. "Tanto é que nós aumentamos o orçamento das Forças Armadas de R$ 6 bilhões para R$ 9 bilhões, podendo chegar a R$ 10 bilhões." Sobre a possível ameaça representada pela encomenda de 900 blindados pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez: "É preciso separar o real do que é retórica".

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