Negros começam a trabalhar mais cedo, diz pesquisa da OIT

Um relatório sobre raça e trabalho divulgado nesta sexta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que as diferenças entre negros e brancos começam na infância no Brasil. Crianças negras, meninos e meninas, começam a trabalhar mais cedo do que as brancas. O estudo da OIT mostra que, entre 1992 e 2005, houve uma redução considerável no trabalho infantil no País. Entre os meninos, caiu 63%. Para as meninas brancas, 67,3%, e para as negras, 66,4%. Mas ainda são os meninos negros que mais trabalham.Até os 13 anos, faixa etária em que a legislação brasileira proíbe qualquer forma de trabalho, 8,8% dos meninos negros ainda trabalham. Entre os brancos, esse índice é de 6%. Das meninas negras nessa idade, 3,4% trabalham, quando entre as brancas são 2,4%. Na faixa etária seguinte, de 14 a 15 anos - quando a lei brasileira passa a permitir algum tipo de atividade, mas como aprendiz - também são os meninos negros que mais trabalham: 22,2% deles. Entre os brancos, são 17,7%. Nessa idade também houve queda dos índices de trabalho infantil entre 1992 e 2005, mas foi maior entre os brancos. Para as meninas, também as negras trabalham mais. São 11,9% das crianças nessa idade. Mas, ao contrário dos meninos, de 2004 a 2005 houve um pequeno aumento no índice de meninas negras empregadas, passando de 10,2% para os 11,9% atuais. A ministra das Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, afirma que essa situação do trabalho infantil reflete a situação dos adultos e a desigualdade racial do País. "As famílias apelam para o trabalho infantil como uma forma de complementar o seu rendimento. As famílias negras hoje têm a situação mais precária no País e isso se mostra desde o trabalho infantil", afirmou. "Temos que acelerar as políticas de combate à pobreza ou vamos sempre nos deparar com a defesa de uma lei que na realidade é diferente", completou, referindo-se a lei que proíbe o trabalho de menores de 14 anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.