Igor Estrela/Estadão
Igor Estrela/Estadão

Negociações para coligações dominam debate virtual nesta semana, indica pesquisa da FGV

Menções a Bolsonaro cresceram em volume, sustentadas pela dificuldade da campanha em definir a composição da chapa

Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2018 | 17h23

A busca por apoio político e os esforços das campanhas para formação de alianças para as eleições presidenciais de outubro foram os principais temas debatidos pelos internautas brasileiros entre o dia 12 e esta quarta-feira, 18, revela levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (Dapp) da Fundação Getulio Vargas, feito com exclusividade para o Broadcast Político.

Após expressivo volume de menções ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana anterior, decorrente do imbróglio jurídico que quase resultou na liberação dele da carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba, as menções ao pré-candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro, cresceram em volume, sustentadas pela dificuldade da campanha em definir a composição da chapa, aponta o relatório da FGV.

"A indefinição acerca do nome que ocupará a vice-presidência em um possível governo de Jair Bolsonaro contribuiu para que a participação do deputado no debate crescesse, especialmente no Twitter, superando o volume de menções a Lula", afirmam os pesquisadores responsáveis pelo estudo.

A desistência do senador Magno Malta (PR) e a recusa do PRP ao convite do pré-candidato do PSL a presidente ao general Augusto Heleno foram alvo de publicações na maioria irônicas e negativas. "Também foram significativas as especulações sobre a capacidade de manutenção das intenções de voto no deputado sem alianças devido ao pequeno espaço no horário eleitoral gratuito", ressalta o relatório.

Ao mesmo tempo, a aproximação do pré-candidato a presidente Ciro Gomes (PDT) com os partidos do chamado Centrão atraiu o engajamento dos internautas, em especial a propostas no campo econômico na tentativa de "agradar" ao mercado. "No entanto, o maior pico de citações a ele, no período, refere-se a uma declaração ofensiva do presidenciável à promotora que solicitou abertura de inquérito contra Ciro por injúria racial, no caso envolvendo Fernando Holliday, do DEM, vinculado ao Movimento Brasil Livre (MBL", afirmam os pesquisadores a FGV. O debate em torno das fortes declarações de Ciro teve "conotação predominantemente negativa", aponta o Dapp/FGV.

As recentes sinalizações de Ciro no campo econômico, com acenos a partidos mais alinhados às demandas do mercado financeira, foram alvo de críticas por seus apoiadores, "que não viram com bons olhos a estratégia de começar a ceder antes de ser eleito". Ainda assim, usuários pró-mercado receberam bem as declarações, "principalmente no que se refere à taxa de câmbio e aos investidores, que passaram a ver como positivo o plano de Ciro para se consolidar como uma opção diante do quadro político".

No período, Bolsonaro liderou as menções no Twitter com o 69.766 postagens, seguido por Ciro Gomes (45.837) e Lula (31.202). Na quarta posição aparece Manuela D'Ávila (PC do B), com 5.907 menções, à frente de Geraldo Alckmin (PSDB), com 3.437.

Lula segue forte nas menções, dividas entre mensagens "ora sobre a eficiência da Justiça no combate à corrupção, ora de sua ineficiência, especialmente quando o julgamento do ex-presidente é comparado a outros processos envolvendo pré-candidatos", aponta o levantamento.

Para a próxima semana, o Dapp/FGV aponta como temas a serem observados: a definição dos vices nas chapas presidenciais; as convenções partidárias, que têm início nesta sexta-feira (20); os trâmites jurídicos a respeito da eventual candidatura de Lula; uma possível deterioração das contas públicas, diante de pautas aprovadas no Congresso; e o acordo de venda da Embraer à Boeing, que pode ser sacramentado pelo governo Temer após as eleições.

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