DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Negociação inevitável

Área política do governo está convencida de que a reforma ambiciosa consignada na minuta divulgada pelo 'Estado' não é muito palatável nem a Jair Bolsonaro nem ao Congresso

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 03h00

A área política do governo está convencida de que a reforma ambiciosa consignada na minuta divulgada pelo Estado não é muito palatável nem a Jair Bolsonaro nem ao Congresso. Daí porque três ministros opinaram à coluna que será preciso suavizar a proposta para que ela seja aprovada. A divergência é qual o melhor momento para começar a fazer concessões: se antes de fechar o texto do Executivo ou já no parlamento.

A divulgação antecipada do texto serviu como termômetro da reação da sociedade. O entusiasmo do mercado e dos especialistas e a ausência de gritaria maior por parte de corporações foram considerados sinais positivos para a largada. O temor era de que uma oposição vigorosa a um texto que ainda não é final, pois não passou pelo crivo de Bolsonaro, pudesse queimar a largada da campanha publicitária que o governo prepara para embalar a reforma numa narrativa favorável. Ela será na linha de que tirar o peso excessivo do sistema previdenciário sobre as contas públicas vai liberar o Estado para prestar serviços melhores e realizar investimentos que permitam a retomada do emprego e dos gastos sociais. Nas palavras de um dos negociadores, humanizar a ideia de reformar a Previdência.

A vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a disposição do presidente da Câmara de fazer a reforma avançar rápido são motivo de alívio nos diferentes gabinetes do Executivo. A ordem é, inclusive, tratar Maia como corresponsável pela reforma, dividindo com ele os louros (e, portanto, a responsabilidade de chegar aos 308 votos necessários) pela sua aprovação. Isso porque os negociadores de Bolsonaro se lembram dos atritos entre ele e a equipe de Michel Temer e querem evitar esses tropeços – ainda mais de obstáculos já esperados no Senado.

SENADO 1

Impasse no PSDB atrasa acordo para Mesa e comissões

O acordo para contemplar a senadora Simone Tebet (MDB) com a presidência da Comissão de Constituição e Justiça esbarra numa disputa interna do PSDB. O partido topa ceder a CCJ para Simone, mas isso leva a uma disputa pela primeira vice-presidência da Casa. O presidente Davi Alcolumbre (DEM) quer Antonio Anastasia no posto, mas o também tucano Izalci Lucas ameaça sair do partido se não for contemplado.

SENADO 2

Planalto preocupado com ira de Renan contra Flávio Bolsonaro

Preocupa o Planalto a ira com que Renan Calheiros (MDB) tem se referido a Flávio Bolsonaro mesmo depois de passados alguns dias de sua derrota na disputa pela presidência do Senado. Ele continua atribuindo ao filho do presidente a decisão de desistir. Ministros dizem que terão de atuar para serenar os ânimos, embora avaliem que o emedebista já não tem o mesmo potencial de causar estragos que já teve no passado.

SEGURANÇA

Risco de contrabando ronda pacote de Moro

Tão logo chegue ao Congresso, o pacote anticrime de Sérgio Moro enfrentará uma chuva de emendas que pode desconfigurá-lo. Deputados novatos do bloco bolsonarista, ansiosos por corresponder à demanda da sociedade por projetos na área de segurança pública, veem na proposta do superministro, que vai angariar todos os holofotes da área no primeiro semestre e deverá ter prioridade para tramitar em relação a outros projetos de lei, a chance de surfar na onda popular. Propostas como a redução da maioridade penal e a flexibilização do porte de armas, que não têm relação direta com os principais objetivos da proposta de Moro, podem ser colocadas de contrabando na discussão. O ex-juiz terá de mostrar jogo de cintura de negociação política – algo para que ainda não foi testado – para evitar os penduricalhos. Ele é contra a liberação do porte de arma, o que será foco de controvérsia com apoiadores do presidente. A negociação será necessária também para se contrapor às tentativas na mão contrária: de esvaziar o pacote dos itens que incomodam os políticos, como o que tipifica caixa dois como crime eleitoral.

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