Negociação está avançada, diz Lula

Presidente brasileiro reafirma o favoritismo dos caças da França na escolha que prevê a renovação da frota

Andrei Netto, CORRESPONDENTE PARIS, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, em entrevista concedida à imprensa francesa, o favoritismo dos aviões de caças franceses Rafale no programa FX-2, que prevê a renovação da esquadrilha da Força Aérea Brasileira (FAB). A declaração veio a público no dia em que o chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy, desembarcou no Brasil para a visita que deve marcar a conclusão de um acordo histórico de venda de armas e de tecnologia no valor de ? 8,6 bilhões. Segundo Lula, as discussões entre os dois países estão "muito avançadas".

As declarações foram feitas durante entrevista concedida à emissora TV5 Monde, à Radio France Internacional (RFI) e ao jornal "Le Monde".

Durante 45 minutos, a venda dos caças Rafale, fabricados pela Dassault, foram o assunto dominante. "Nós montamos um Plano Estratégico de Defesa Nacional e em torno deste plano estamos elaborando uma política estratégica com a França, a fim de que possamos assinar contratos envolvendo submarinos, helicópteros e discutir também a questão dos aviões de caça", afirmou Lula.

Diante da insistência dos jornalistas sobre o resultado da FX-2, da qual participam também os aviões Gripen NG, da sueca Saab, e F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, o presidente disse que discutirá a decisão com o Ministério da Defesa e o comando da Força Aérea Brasileira (FAB).

"O Brasil passa por uma fase na qual terá de tomar uma decisão, e todo mundo sabe que uma das exigências que o Brasil faz é de ter acesso à tecnologia", explicou o presidente, dizendo que o País "sonha produzir" uma parte do avião.

ANÚNCIO

Indagado se o anúncio do vencedor poderia ser feito durante a visita de 24 horas de Sarkozy a Brasília, Lula não confirmou, mas revelou o favoritismo. "Nossas discussões estão muito avançadas e eu acho que chegaremos a um bom entendimento com a França. Nós temos um relacionamento de confiança com o presidente Sarkozy", reiterou. "Para nós, a compra dos caças tem um componente essencial, que é a transferência de tecnologia e a possibilidade de fabricar uma parte desses aviões no Brasil. Quem estiver com essa disposição estará mais próxima de fechar o contrato com o Brasil. E vocês sabem bem quem tem essa disposição mais forte", insinuou aos jornalistas franceses.

REUNIÃO DE TRABALHO

Hoje, Lula e Sarkozy assistirão juntos ao desfile de 7 de Setembro em Brasília. Durante a reunião de trabalho a seguir, os dois chefes de Estado deverão assinar o acordo de compra, por parte do Brasil, de quatro submarinos convencionais Scorpène e de um casco de submarino nuclear, além da construção de um estaleiro e de uma base naval no Rio.

Pelos contratos de Marinha, o Ministério da Defesa pagará um total de ? 6,7 bilhões. Além deles, será homologada a produção e compra de 51 helicópteros pesados Cougar EC-725 Helibras, filial da Eurocopter, ao custo final de ? 1,9 bilhão.

Apesar da amplitude dos acordos militares, Lula ressaltou que deseja a ampliação do comércio e da Parceria Estratégica entre os dois países também na área civil. "É inexplicável que o Brasil e a França tenham uma balança comercial de apenas US$ 8 bilhões", disse o presidente brasileiro durante a entrevista.

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