Negociação com governo abre guerra entre bancadas tucanas

PSDB reunirá Executiva para analisar proposta da CPMF; deputados querem que senadores votem contra

João Domingos e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

02 de novembro de 2007 | 00h00

As negociações dos senadores do PSDB com o governo para aprovar a prorrogação da CPMF abriram uma guerra entre a bancada tucana da Câmara e a do Senado. O clima de tensão deverá aumentar na terça-feira quando a Executiva Nacional se reúne para discutir a proposta apresentada pelo governo aos senadores tucanos para compensar a manutenção da CPMF e, dessa forma, dar uma justificativa para o voto favorável à contribuição. A bancada de deputados promete comparecer em peso ao encontro para pressionar os senadores a votar contra o imposto do cheque. Na Câmara, o partido votou contra a prorrogação da contribuição. "Essa reunião vai pôr a bancada da Câmara e do Senado em contato. Dela vai sair uma posição única contra a CPMF ou então uma posição dos senadores diferente da adotada pela bancada dos deputados", disse o líder do partido na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP). "Qualquer posição do Senado no sentido inverso à da Câmara tem de ser discutida com todos", defendeu. O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que a decisão deve ser tomada por todo o partido. Ele quer que toda a Executiva, inclusive suplentes, decidam. Ele quer diminuir o peso dos deputados na decisão. Para o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), o partido está totalmente sem rumo. Ele argumentou que ao adotar uma posição na Câmara e outra no Senado, o PSDB passa a seu eleitor "uma imagem de incoerência". "O governo está dizendo quem é oposição para dialogar e quem é oposição demoníaca. Estamos entrando no canto da sereia. O PSDB tem de definir o que quer da vida", disse. Segundo Madeira, o descontentamento na bancada federal é muito grande. "Os deputados estão indignados com o que está acontecendo", afirmou o tucano. No Senado, os tucanos concordaram em negociar com o governo formas de compensar a manutenção do tributo por mais quatro anos. Sem maioria folgada no Senado para aprovar a CPMF, o Planalto se dispôs a abrir o diálogo e até a aceitar reivindicações dos tucanos. Os deputados ficaram irritados. Afinal, na Câmara, onde o governo tem maioria, o Planalto não fez nenhum sinal para negociar com a bancada federal.Além disso, os governadores do PSDB são favoráveis à prorrogação da CPMF. E acabam pressionando os senadores a votar favoravelmente ao tributo. "Entendo a posição dos governadores. Eles temem que se a CPMF não passar, o governo vai retaliar nos convênios e repasses para os Estados", observou Pannunzio. "Mas a CPMF é uma questão da oposição e não de bancadas", concluiu.

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