Necessidade de sigilo de dados não é eterna, diz general à CPI

Chefe de segurança de FHC diz que sigilo perde validade após alguns anos; ministro da Pesca também vai depor

Agência Senado,

10 de abril de 2008 | 11h01

O ex-ministro do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República general Alberto Mendes Cardoso afirmou nesta quinta-feira, 10, que a necessidade de sigilo sobre gastos da presidência não é eterna. Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista dos Cartões Corporativos, o general destacou que optar pelo sigilo é uma decisão antecedida por um processo sério, não é uma deliberação tomada aleatoriamente.   Veja também:   Ouça o 'melô dos cartões'  Ouça: Matilde Ribeiro fala sobre acusações na CPI À CPI, diretor da Abin defende sigilo da Presidência ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  'Troquei de cartões na compra do freeshop', diz Matilde à CPI Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008 Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos    "A necessidade do sigilo não é eterna. O sigilo é necessário naquele momento, para que o chefe de Estado não corra riscos. Mas haverá um instante, passados alguns anos, que não haverá mais necessidade do sigilo. Por isso, os arquivos estão disponíveis para historiadores e pesquisadores", afirmou Cardoso.   Nesta quinta, a CPI ouve ainda o depoimento do ministro da Pesca, Altemir Gregolin, sobre o mau uso do cartão corporativo. Na quarta, foi a vez da ex-ministra Matilde Ribeiro. Na ocasião, a CPI transformou-se em palco para ato de desagravo à ex-ministra, que deixou o governo em fevereiro sob acusações de uso irregular do cartão de crédito corporativo.   Diante de uma platéia lotada de petistas e de representantes do movimento negro, além de parlamentares da tropa de choque do governo, a ex-ministra foi aplaudida de pé ao final de seu depoimento, que mais pareceu uma audiência pública para que ela fizesse um balanço de suas ações à frente do Ministério da Igualdade Racial.   Matilde, que posou para fotos ao lado de antigos companheiros de ministério, não foi contestada pela oposição. Os oposicionistas optaram praticamente por abandonar a CPI mista e centrar suas forças na comissão formada apenas por senadores.

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