Nazaré Paulista vive a sua ''revolta da vacina''

Nenê é reeleito por 2 votos, em dia de vacinação e eleição

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

O município de Nazaré Paulista, a 60 quilômetros de São Paulo, vive uma situação no mínimo curiosa: o prefeito reeleito Mário Antônio Pinheiro, o Nenê Pinheiro, do PSDB, venceu a eleição por apenas dois votos (4.338 a 4.336) ante o opositor do PV, Joaquim da Cruz Junior, no pleito mais acirrado da história da cidade, famosa pela produção de eucalipto.Para completar o quadro inusitado, a prefeitura marcou - para o dia das eleições - uma campanha de vacinação contra a rubéola, que ocorreu nos mesmos colégios da votação. Revoltado, o candidato do PV viu na ação uma propaganda indireta do prefeito e entrou com três ações no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Uma delas pede a cassação do registro do prefeito por causa da vacinação, evento "no mínimo esquisito e que desequilibrou a eleição".A vacinação foi autorizada pelo juiz eleitoral da 16 ª Zona Eleitoral, Marcos Cosme Porto. Em uma faixa colocada na praça central da cidade, se dizia que a vacinação havia sido autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).Junior, como é conhecido o candidato do PV, afirma que seu partido não foi consultado sobre a vacinação nos colégios. Ele questiona nas outras duas ações supostas irregularidades em uma das urnas, a 331, exatamente na qual Nenê Pinheiro obteve a maior diferença (67 votos) diante da coligação adversária, e pede ao TRE o cancelamento da eleição. Na 331, localizada na área central da cidade de pouco mais de 16 mil habitantes, a abstenção foi de apenas 7,9%, ante 16,4% de média nas demais. Um eleitor, Silvânio Barbosa, chegou para votar e alguém já havia votado em seu lugar, o que foi registrado na ata de votação. No documento, obtido pelo Estado, há também assinaturas praticamente idênticas e assinaturas ao lado de impressões digitais, como se os eleitores fossem analfabetos."Quando começou a campanha, a gente já tinha certeza de que os adversários iriam usar a máquina, mas eles cometeram irregularidades graves demais. Se candidato não pode dar cesta básica também não pode oferecer remédio", argumentou Junior. A coligação liderada pelo PV entrou com ações ante a Justiça Eleitoral local, que foram indeferidas de plano. Recorreu, então, ao TRE, onde o assunto está sub judice. O chefe de gabinete da prefeitura, José Benedito Pinheiro Neto, classificou de "choro de perdedor" o questionamento da oposição. De acordo com ele, a vacinação foi feita por instrução da Direção Regional de Saúde (DRS) de Campinas, à qual a Secretaria Municipal de Saúde é subordinada, e devidamente autorizada pelo juiz eleitoral."Eram equipes volantes, que se deslocavam por toda a cidade. Se os nossos adversários tivessem alguma reclamação consistente, deveriam fazê-la no próprio dia das eleições, já que uma juíza eleitoral fez plantão para atestar a lisura do processo", disse.Segundo Pinheiro Neto - o prefeito saiu do gabinete pouco antes da chegada da reportagem -, a coligação adversária fez uma contagem dos votos a partir das listas de votação e chegou à conclusão de que havia vencido por 40 votos. Pinheiro chegou a reconhecer, em público, a derrota. Cerca de 40 minutos depois, o resultado oficial constatou a vitória do prefeito. "Tentaram até invadir a casa dele. Se a Polícia Militar não tivesse chegado, não sei o que aconteceria", afirmou o chefe de gabinete.

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