Nas obras do S. Francisco, R$ 11 mil por família pobre

Em PE, morador ganhará título de posse para ter direito à indenização

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

As famílias de baixa renda que vivem em terras que serão cortadas por dois canais de transposição das águas do Rio São Francisco em 14 municípios sertanejos receberão título de propriedade para poderem ser indenizadas quando a área for desapropriada pelo governo de Pernambuco. A informação é do superintendente do Fundo de Terras de Pernambuco (Funtepe), José Estevo Barbosa, que ontem assinou convênio no valor de R$ 861 mil com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a empresa Fundesa, visando aos trabalhos de medição, avaliação e verificação da legalidade das propriedades."Somente os pequenos receberão os títulos gratuitamente", destacou ele, ao garantir que na próxima semana os técnicos vão a campo para iniciar os trabalhos em seis municípios - Cabrobó, Custódia, Floresta, Sertânia, Verdejante e Salgueiro.Até o fim de dezembro, esta primeira etapa deverá ser concluída, abrangendo em torno de 12 mil famílias. No início do próximo ano, o levantamento abrangerá os oito municípios restantes - Parnamirim, Terra Nova, Serrita, Arcoverde, Betânia, Ibimirim, Pesqueira e Petrolândia. Os recursos para esta segunda etapa, no valor de R$ 1,2 milhão, já estão garantidos, de acordo com o superintendente.LINHA DE POBREZAA estimativa é de que 26 mil famílias serão indenizadas, a maioria de baixa renda. Só em Cabrobó - a 580 quilômetros do Recife, onde houve protestos no mês passado contra a transposição -, de onde sairão os dois canais, 90% das 2.553 famílias cadastradas para receber o título de posse da terra vivem abaixo da linha de pobreza.O superintendente avalia que cada família deverá receber uma indenização em torno de R$ 11 mil, a ser paga pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Ele calcula que a maior parte dos agricultores permanecerá nas terras, pois a desapropriação relativa à construção dos canais é de 200 metros - 100 metros para cada margem. No caso dos que ficarem, eles serão beneficiados com a água trazida pelos canais para consumo humano e animal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.