Nas eleições, promessas continuam para índios da capital paulista

Em aldeia de Parelheiros, guaranis são procurados por candidatos, mas revelam desilusão com a política; falta de emprego é o principal problema

Pedro da Rocha, de O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 14h12

No dia 17 de agosto, Eraldo José da Silva, 60 anos, cabo eleitoral de um candidato a vereador pelo PMDB em São Paulo, foi visitar a aldeia indígena de Tenondê Porã, localizada em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, a 70 quilômetros da Praça da Sé. Pediu autorização para o cacique, Timoteo Vera Popyguá, para colocar placas nas casas com a permissão dos moradores. A autorização foi concedida. Como troca para a gentileza, Silva prometeu a construção de uma creche próxima à aldeia. Com a aproximação da data das eleições, o assédio aumenta e os cerca de 1,2 mil índios que vivem na tribo são lembrados por políticos, que enfrentam a estrada de difícil acesso para angariar votos na aldeia.

Embora conheçam alguns candidatos a vereador tradicionais da região, os guaranis ainda têm pouca informação sobre os postulantes à Prefeitura de São Paulo. O CECI, criado na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), ainda é o maior puxador de votos para o PT. "Tem muita gente que vem oferecer coisas, depois passa a eleição e se esquecem da gente", diz Márcia Poty Vidal, 42 anos. A reclamação de Márcia é senso comum na aldeia. "O pessoal está desinteressado. A gente não confia muito, mas ouvimos quando vem (algum representante de candidato)", falou Adriano Verissimo, 27 anos. Para Osmar Verissimo, 30 anos, "quem promete não faz". A televisão, presente na maioria das casas de tijolos, é o principal meio para acompanhar as propostas dos candidatos. Eventualmente, se reúnem nas casas de reza, ou oby em guarani, para debater sobre eleição.

Embora Silva tenha oferecido somente uma creche próxima à região, os problemas da tribo ainda estão longe de serem resolvidos só com isso. A falta de especialidades médicas, o número insuficiente de professores, a coleta de lixo, a dificuldade de acesso e falta de emprego assombram a aldeia. "Eu ainda tenho um trabalho", falou Márcia Poty, agente de saúde comunitária na UBS, "mas e os outros que não têm emprego, como é que vai se virar? A população cresceu muito e o espaço para a lavoura está cada vez menor, só dá para a subsistência", completou.

Por viverem em uma Área de Proteção Ambiental (APA), o espaço que pode ser ocupado e a matéria prima que pode ser retirada da mata são restritos. Os equipamentos públicos da aldeia se resumem a uma escola estadual, um telecentro com 20 computadores com acesso à internet, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e um Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI), uma espécie de Centro Educacional Unificado (CEU) desenvolvido para o povo indígena. Parte dos moradores da aldeia ganha a vida trabalhando nestas quatro unidades. Outros fazem artesanato para vender em lojas da cidade. A plantação é utilizada apenas para a subsistência. Eles falam o guarani e o português, mas só é permitido falar a segunda língua quando há uma pessoa de fora em Tenondê Porã.

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