Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Napoleão diz que Gilmar Mendes é tão admirado quanto foi Pôncio Pilatos

Ministro compara presidente da corte com governador romano que lavou as mãos enquanto autoridades pediam a cabeça de Jesus de Nazaré

Alexandra Martins, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 16h45

Durante leitura de seu voto na sessão de julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Napoleão Nunes Maia afirmou que Pôncio Pilatos, governador da Judeia do ano 26 ao 36, tinha a mesma admiração que o presidente da corte eleitoral, ministro Gilmar Mendes, teria hoje. "Poncio Pilatos tinha a admiração que tem vossa excelência hoje no Brasil", declarou, após a sessão ser suspensa por ele ter se exaltado em defesa própria contra acusações de que teria beneficiado delatores da OAS. Pilatos ficou conhecido na história por ter lavado as mãos enquanto os romanos pediam a execução de Jesus de Nazaré. 

"Pôncio Pilatos tentou democratizar decisão e perdeu o controle", disse Napoleão. Após o voto contra a cassação da chapa de Napoleão, o ministro Admar Gonzaga fez uma intervenção para exaltar aspectos positivos da persona de Pilatos. "Ele não era um juiz frouxo, era um juiz determinado", disse. Gilmar agradeceu Admar.

Além de Napoleão, Gilmar e Admar compartilham posição favorável à não cassação da chapa.

Napoleão foi destaque em outros dois momentos desta segunda parte da sessão do terceiro dia de julgamento da chapa presidencial vencedora de 2014. Primeiro, seu filho, de posse de um envelope debaixo do braço, tentou burlar a segurança do TSE para entregar, segundo o ministro, "fotos da neta". Segundo a assessoria de imprensa da corte eleitoral, o filho foi impedido de entrar porque não estava devidamente trajado para o ambiente que exigia paletó e gravata. 

O segundo momento "napoleônico" foi quando o titular do TSE resolveu se defender de suspeita publicada nesta sexta na imprensa antes de iniciar a leitura de seu voto. O jornal Valor Econômico publicou que, em busca de acordo de delação, a cúpula diretiva da OAS mencionou o nome de Napoleâo aos investigadores da força-tarefa da Lava Jato entre aqueles que poderiam intervir a favor da empresa. Napoleão se exaltou durante vários minutos para dizer que eram infundadas as acusações. "É mentira", dizia.

Em solidariedade, Gilmar anunciou interrupção da sessão por cinco minutos e lhe deu um abraço. "Mas você vai interromper por minha causa? Não precisa não", dizia Napoleão ao gesto do presidente do TSE.



 

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