Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

'Está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar', diz Bolsonaro após ação do STF

Presidente fez declaração nesta quarta-feira, 17, ao comentar operações autorizadas pelo Supremo contra seus apoiadores

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 09h37

BRASÍLIA - Após afirmar ontem que tomará "medidas legais" para proteger a Constituição, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer nesta quarta-feira, 17, que considera ter havido "abusos" na ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para quebrar o sigilo bancário de dez deputados e um senador aliado ao seu governo. Em seguida, afirmou que "está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar", sem explicar ao que se referia.

Ao conversar com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que está "fazendo o que deve ser feito" e que "não será o primeiro a chutar o pau da barraca", em resposta a uma mulher que o pediu ajuda para reagir às investigações no STF que apuram o financiamento de atos antidemocráticos e ataques a ministros da Corte. 

"Tem gente que nasceu 40 anos depois do que eu e quer dizer como eu devo governar o Brasil. Estou fazendo exatamente o que tem que ser feito. Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando, isso está a olhos vistos. O ocorrido no dia de ontem, quebrar sigilo de parlamentar, não tem história vista numa democracia por mais frágil que seja. Está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar", disse.

Bolsonaro afirmou ainda que todos, sem exceção, devem entender o que é democracia. "Não devo nada a ninguém do que estou fazendo. Está chegado a hora de acertarmos o Brasil no rumo da prosperidade e todos entenderem o que é democracia. Democracia não é o que eu quero, nem você, nem o que um poder quer, o que outro poder quer. Está chegando a hora, fique tranquila", declarou.

Embora não tenha citado diretamente a quem se referia, Bolsonaro tem feito declarações com ameaças a outros poderes por entender que há uma tentativa de fragilizá-lo, com decisões do Supremo e do Congresso que, na sua visão, invadem as atribuições do Executivo. Ele chegou a afirmar, há algumas semanas, que poderia não cumprir ordens judiciais.

A declaração de Bolsonaro nesta quarta aconteceu após o relato de uma apoiadora."Três amigos nossos foram presos ontem sem fazer nada, não temos um estilingue para se defender. Não pedimos intervenção", disse a mulher ao presidente. Em resposta, Bolsonaro disse que o "estilingue" é uma ação, mas não pensamentos e palavras. "Terrorismo não é o que alguns estão achando por aí. Terrorismo é meter carro bomba em guarita do Exército", disse o presidente.

Na quarta, o presidente só se pronunciou sobre as ações autorizadas pelo STF à noite. Após pressão de apoiadores, ele foi ao Twitter e falou em "abusos" e disse que tomará todas as medidas legais para proteger a Constituição porque não pode “fingir naturalidade" diante do que está acontecendo. 

“Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas”, escreveu o presidente nas redes sociais. “Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade dos brasileiros”.

O presidente havia orientado pessoas próximas a evitar manifestações públicas sobre a Operação Lume da Polícia Federal. Antes das postagens, auxiliares de Bolsonaro diziam que o seu silêncio era um inequívoco sinal de que o governo estava disposto a baixar a temperatura da crise. A trégua envolveria até mesmo a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que chamou ministros do Supremo de "vagabundos" em duas ocasiões.

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