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Não vou renunciar e não vou ficar debaixo do tapete, diz Dilma em Pernambuco

Presidente visitou obras da transposição do Rio São Francisco, em Cabrobó, onde voltou a dizer que eventual governo Temer planeja cortar programas sociais

Gilberto Amendola, enviado especial, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 18h04

CABROBÓ (PE) - Em visita a obras da transposição do Rio São Francisco, no município de Cabrobó, em Pernambuco, nesta sexta-feira, 6, a presidente Dilma Rousseff voltou a dizer que não renuncia e que continuará lutando contra o processo de impeachment. "Eles sempre quiseram que eu renunciasse. Vocês sabem por quê? Porque eles querem esconder tudo embaixo do tapete. Eu não vou para baixo do tapete. Eu vou ficar aqui lutando", afirmou.

Dilma também disse mais uma vez que o impeachment é uma forma disfarçada de eleição indireta. "Quem vai votar na redução ou na perda dos direitos? Esse é um golpe contra a democracia e os direitos sociais", falou a presidente.

O discurso da presidente teve como tema principal os programas sociais do governo e as ameaças que eles estariam sofrendo com um provável governo Temer. "Eles dizem que querem focar nos 5% mais pobres da população - porque acham que a crise tem que ser enfrentada cortando os programas sociais. Ora, hoje o Bolsa Família atende 47 milhões de pessoas. Os 5% de que eles falam são apenas 10 milhões. Os outros que se virem", calculou a presidente.

Dilma repetiu ainda que o impeachment é golpe porque ela não teria cometido crime de responsabilidade ­- e que as pedaladas fiscais seriam uma prática adotada por outros prefeitos, governadores e presidentes. "Não sou eu que tenho contas no exterior, não sou eu que estou sendo acusada de receber propinas", disse.

Sobre a obra de trasposição do São Francisco, Dilma afirmou que "vai ficar de coração partido se não estiver na região quando a água começar a correr nas torneiras do João e da Maria". A visita aconteceu no mesmo dia em que a Comissão Especial do Impeachment no Senado aprovou o relatório do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável ao afastamento da presidente.

"As obras do São Francisco estão sendo propostas desde o tempo de D. Pedro II. Mas, por que só agora decidiram fazer? Simples, um governo é feito de escolhas, e nós escolhemos fazer a integração do São Francisco. Escolhemos porque fomos eleitos com o voto de vocês e temos compromisso com o povo desse Pais", disse a presidente. Nesse momento, ela lembrou da origem nordestina e humilde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O discurso foi acompanhado por centenas de agricultores locais - muitos foram trazidos ao evento com a ajuda de sindicatos e movimentos socias. "Essa obra é muito importante para a agricultura. Ela está mudando a nossa vida", disse Silvaneide Costa, 46 anos. Sobre o impeachment da presidente, agricultores demostraram receio de que todo o projeto do rio São Francisco seja interrompido em um eventual novo governo. "Você confia nesse Temer? Eu é que não, meu filho", falou Lucimar Davi Silva, 54 anos.

A obra. A transposição do rio São Francisco é a maior obra de infraestrutura hídrica do País - que se estende por 477 quilômetros em seus dois eixos (norte e leste). A estimativa do governo é que o projeto atinja aproximadamente 12 milhões de pessoas, divididas em 390 municipios dos Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

O projeto, que começou em 2007, já consumiu cerca de 8,2 bilhões - praticamente o dobro de sua previsão inicial e teve seu prazo de entrega adiado diversas vezes. A previsão inicial era que estivesse pronto em 2012, mas já teve o prazo adiado diversas vezes e, segundo as últimas informações do governo, deve ser entregue ainda este ano.

Outras três estações de bombeamento já haviam sido entregues pelo governo entre 2014-2015: as duas primeiras do Eixo Leste, em Floresta; e a primeira do Eixo Norte, também no município de Cabrobó.

 

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