Agência Câmara - 19.04.2013
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Não vou fazer terrorismo, diz presidente da CPI da Petrobrás

Escolhido pelo PMDB, deputado Hugo Motta afirma que atuará com isenção e que é preciso evitar 'manobras' para tirar o foco das investigações sobre a estatal

O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 10h19

Atualizado às 12h54

São Paulo - Escolhido pelo PMDB para presidir a nova CPI da Petrobrás na Câmara, o deputado Hugo Motta (PB) disse que comandará a comissão responsável por investigar a estatal sem "terrorismo". Ligado ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por embates recentes com o governo Dilma, o deputado promete agir com independência e diz não ser contra investigar governos anteriores, como quer o PT, desde que a ampliação não seja uma "manobra" para desviar o foco da comissão.

"Não tenho intenção de derrubar torres de petróleo nem muito menos fazer terrorismo, o que eu quero é apurar", afirmou Motta em entrevista à Rádio Estadão, na manhã desta terça-feira, 24. O nome do parlamentar foi indicado nessa segunda, 23, pelo partido. A comissão será instalada nesta quinta-feira, 26, quando serão oficialmente definidos os nomes dos integrantes do colegiado. A tendência é que a vice-presidência fique com o PSDB e a relatoria, com o PT.

No ano passado, duas CPIs já investigaram suspeitas de irregularidades envolvendo contratos e obras da Petrobrás. De maioria governista, as comissões terminaram sem grandes avanços. Na avaliação de Motta, o estágio mais avançado da Operação Lava Jato vai ajudar a nova comissão. "O adiantado da Lava Jato dá mais subsídios para a Câmara investigar. [Com os desdobramentos da operação], nossa expectativa é que nossa apuração possa ir mais a fundo", disse.

Segundo o deputado, o pedido do PT para investigar a estatal também no período relativo aos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pode ser avaliado pela comissão. No entanto, afirma ele, a ampliação não pode se transformar em "manobra" para atrasar o trabalho do colegiado. "Não tenho nenhum problema em estender o período de investigação para governos anteriores, seja do presidente Lula ou FHC. Mas temos que ter cuidado para que isso não se transforme em uma manobra para o que tem que ser investigado neste momento deixe de ser investigado, que é o motivo pelo qual a CPI foi protocolada", diz.

De acordo com o requerimento, a comissão vai apurar suspeitas de irregularidades ocorridas na Petrobrás entre 2005 e 2015. O PT defende que o período seja ampliado com base na delação do ex-gerente da estatal Pedro Barusco, que afirmou receber propinas desde 1997.

Apesar de integrar o principal partido da base aliada, Motta repetiu o discurso usado por Eduardo Cunha, que prega independência entre as legendas e afirma que a comissão não sofrerá influências do Executivo. "Existe uma diferença muito grande de ser aliado e de ser subserviente", diz. "O Congresso Nacional não pode ficar de fora, inerte, a um dos casos de maior corrupção que já aconteceram na história do País", complementou.

O deputado evitou falar sobre qual será o posicionamento do colegiado diante do pedido de abertura de inquérito contra políticos envolvidos na Lava Jato, cujos nomes devem ser apresentados nesta semana pela Procuradoria-geral da República. De acordo com as apurações da Operação da Polícia Federal e com depoimentos de envolvidos no caso, parlamentares do PMDB também estão entre os beneficiários do esquema de desvios.

"Não queria fazer neste momento qualquer tipo de conclusão. Se tiver alguém do PMDB, vai ser apurado da mesma forma como qualquer outro integrante de qualquer partido", afirmou.

 

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