Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Não vou discutir comportamento', diz Teich sobre postura de Bolsonaro

Na terça-feira, 28, o presidente lamentou o recorde de mortes, mas afirmou não ter o que fazer em relação a isso

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 17h54
Atualizado 30 de abril de 2020 | 15h45

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Nelson Teich, se recusou a comentar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nos últimos dias. Em audiência pública no Senado, o titular da pasta foi questionado sobre o comentário de Bolsonaro após o País registrar mais mortes nos informes oficiais pela covid-19 do que a China

"Eu não vou discutir o comportamento. Mas eu posso dizer que ele está preocupado com as pessoas e com a sociedade. O alinhamento é nesse sentido", afirmou Teich. "Existe um foco total em ajudar a sociedade, em ajudar as pessoas. Isso eu tenho certeza que é preocupação do presidente, eu fui trazido por causa disso", declarou o ministro. 

Na terça-feira, 28, Bolsonaro lamentou, mas afirmou não ter o que fazer em relação ao recorde de mortes registradas no Brasil. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", disse o presidente da República.

Na teleconferência com o Senado, Teich reforçou que a preocupação entre preservar vidas com o isolamento social e reabrir atividades diante do impacto econômica não é um conflito antagônico. "Não existe distinção entre saúde e economia. Não é entre o bem e o mal, pessoas e dinheiro. Tudo é gente."

Críticas

Na audiência, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) se disse "estarrecido" com o discurso de Teich. "Com todo respeito, mas acho que é uma dubiedade muito séria. Por favor, seja firme e claro nessa posição. Dê o recado à nação como líder da Saúde no País. Não pode haver dubiedade, especialmente quando o presidente da República está dando sinais contrários."

O titular da pasta afirmou que o distanciamento social é uma solução do momento na ausência de diagnósticos suficientes, mas citou estudos para orientar o isolamento apenas para algumas pessoas e regiões do País.

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