Não vejo motivo para ele colaborar, diz advogado de doleiro da Lava Jato

Defensor afirma que vazamento de informações da delação de Paulo Roberto Costa mostra incapacidade do Estado para garantir segurança de colaboradores

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 14h12

Brasília - Em meio ao vazamento das primeiras informações prestadas pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa à Justiça Federal, o defensor do doleiro Alberto Youssef é taxativo ao dizer que seu cliente não irá fazer delação premiada.

Considerado como um dos pivôs de um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 10 bilhões, Youssef foi preso na operação Lava Jato da Polícia Federal realizada no último mês de março. Uma possível colaboração dele junto à Justiça poderia acelerar as investigações e trazer novos desdobramentos.

Em conversa com o Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, o advogado do doleiro, Antônio Figueiredo Basto, afirmou que tem orientado o cliente a se manter em silêncio. "Não vejo motivo para ele colaborar, não tem que fazer provas contra ele. Não tem que ajudar ninguém, tem que ajudar só ele mesmo. Estamos na disposição de continuar enfrentando o processo", afirmou.

No entendimento do defensor de Beto, como também é conhecido o doleiro, a divulgação das primeiras informações sobre a delação de Paulo Roberto Costa no processo da Lava Jato demonstra falta de capacidade do Estado para garantir a segurança dos colaboradores. 

"O vazamento só prejudicou as investigações. Foi absolutamente inócuo e genérico. Além do que mostrou a falta de total respeito pela pessoa do colaborador. Demonstra que não há segurança nenhuma para se fazer colaboração processual no Brasil porque, a partir do momento em que você se dispõe a colaborar e é tratado como um humilhado por uma revista e a informação não é preservada, demonstra que as autoridades não estão preparadas para garantir ao colaborador a segurança dele e de sua família. E que isso na verdade é tudo um teatro de horrores".

O advogado também criticou a reação do Ministério da Justiça que solicitou à Polícia Federal investigar o vazamento. "A ideia de se abrir o inquérito para se apurar quem vazou soa pior. Depois que a porteira está arrombada você quer concertar? Os vazamentos continuam acontecendo." Na avaliação de Basto, não cabe, entretanto, um pedido de anulação do processo.

Ao falar sobre a conduta de Youssef em se manter em silêncio nos depoimentos prestados até aqui às autoridades, o advogado voltou o foco das críticas ao juiz federal, Sérgio Moro, responsável pelos inquéritos e processos da Operação Lava Jato. "O meu cliente tem ficado em silêncio em todos porque não tem nada para falar, é o direito dele. Não vamos colaborar com a Justiça... e outra coisa ele tem dito na frente dos juízes várias vezes que não vai depor para um juiz suspeito", ressaltou.

Segundo ele, a mesma postura deverá ser adotada caso o doleiro venha a ser convocado para prestar esclarecimentos à CPMI da Petrobrás. "É perda de tempo. O pessoal da CPI queria chamar o Beto, ele vai sentar lá e não vai falar. Não tem que falar com ninguém".

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