'Não vejo escândalo nos cartões', diz chefe de gabinete de Lula

Gilberto Carvalho diz ainda que presidente não teme instalação de CPI para investigar os gastos do governo

Anne Warth, da AE

11 de fevereiro de 2008 | 19h25

O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, disse nesta segunda-feira, 11, que as denúncias a respeito de uso indevido dos cartões corporativos por membros do governo federal não configuram nenhum escândalo, conforme afirmou o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Roberto Antonio Vallim Bellocchi, na abertura do Ano Judiciário, na capital paulista. "Não vejo escândalo. Vejo erros que foram cometidos e que vão ajudar, inclusive, pedagogicamente a uma prática melhor de governo", disse ele, durante o encerramento da sessão solene na Justiça.   Veja também:   Cronologia da crise dos cartões corporativos   Entenda o que são os cartões corporativos do governo   Após denúncia, governo publica mudanças para cartões Acordo abranda CPI sobre uso de cartão corporativo   Carvalho disse ainda que o governo e o presidente Lula não temem a instalação de uma CPI para investigar os gastos de membros do governo federal desde sua posse, em 2003. "O presidente está tranqüilo e quando consultado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), deu todo o apoio a CPI. Nós queremos a CPI e temos interesse em que tudo fique claro", reiterou. Questionado sobre a necessidade de abertura de uma CPI na Assembléia Legislativa de São Paulo, respondeu: "Eu acho que CPI é bom em qualquer situação. A transparência é sempre bem-vinda".   O chefe de gabinete ressaltou por diversas vezes a criação do Portal da Transparência pelo governo Lula já em 2004, que disponibiliza os gastos dos cartões corporativos de forma discriminada. "Foi graças ao Portal que todos esses dados vieram à tona", disse, sugerindo que a prática fosse adotada por todos os governos estaduais e municipais do País. "O Portal é um salto importante na democracia. Quanto mais luz, mais transparência e menos espaço para corrupção", declarou.   Carvalho defendeu o uso dos cartões corporativos por membros do governo federal. "Nós consideramos um instrumentos absolutamente adequado de gasto público. Os erros que foram cometidos naturalmente terão de ser reparados, e as pessoas, responsabilizadas. Mas insisto, ao nosso ver, é o melhor sistema que existe", opinou.   Ele disse não ter um cartão corporativo, mas afirmou que se o uso fosse autorizado, utilizaria o instrumento de pagamento com consciência. Para Carvalho, tanto a quantidade de cartões quanto o uso deles para compras no governo deveria aumentar, desde que fossem utilizados com controle e disciplina.   Ele observou também que não é correto fazer um "julgamento peremptório generalizado" dos servidores que utilizaram o cartão. "Temos que avaliar caso por caso, cada circunstância em que o gasto foi feito. Os servidores merecem respeito. Não dá para atirar e depois perguntar", disse. Carvalho considera natural que a oposição utilize o assunto para desgastar o governo, "até por falta de projetos".

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