Gabriela Biló|Estadão
Gabriela Biló|Estadão

'Se queriam me tirar de 2018, isso não era necessário', diz Lula

Ex-presidente insinuou que as acusações fortalecem sua intenção de concorrer à Presidência; petista disse que quem tem que provar é quem acusa

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2016 | 18h22

SÃO PAULO - Réu por tentar obstruir a Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 29, durante evento em São Paulo, ver intenções políticas nas investigações das quais é alvo. O petista insinuou que as acusações fortalecem sua intenção de concorrer à Presidência em 2018.

"Se o objetivo de tudo isso é me tirar de 2018, isso não era necessário, a gente escolheria outro candidato mais qualificado, mas essa provocação me dá uma coceira" disse. O petista lidera a corrida presidencial, segundo pesquisa Dafafolha divulgada no dia 16, mas perderia em todos os cenários de segundo turno.

Durante o discurso em evento de sindicalistas, o ex-presidente disse que não vai se calar diante de ameaças e afirmou que não precisa provar nada, citando as investigações sobre a propriedade de uma apartamento no Guarujá e uma chácara em Atibaia. "Eu já cansei, eu não tenho que provar que tenho apartamento, quem tem que provar é a imprensa que acusa, o Ministério Público que fala o que eu tenho, a Polícia Federal que falou o que eu tenho, eles que têm que apresentar documento de compra, pagamento de prestação, algum contrato assinado, porque se não tiver, eles terão que me dar de presente um apartamento e uma chácara, aí eu ganharei de graça essas coisas que eles falam que eu tenho", disse.

Lula se tornou réu por tentativa de obstruir a Justiça ao tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró. A chácara em Atibaia e o apartamento em Guarujá não têm relação com a acusação aceita nesta sexta pela Justiça.

Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Lula teria participado de uma trama para comprar o silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró. Na última quinta-feira, 28, Lula encaminhou ao Comitê de Direitos Humanos da ONU uma denúncia contra o Estado brasileiro para tentar barrar ações que considera "abuso de poder" do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Operação Lava Jato. O órgão, no entanto, não tem como punir o Brasil nem impedir uma prisão. Pode apenas fazer recomendações e, eventualmente, indicar se um juiz atua com parcialidade, sem qualquer implicação legal imediata. Mas uma avaliação da entidade poderia pesar e criar pressão a favor ou contra o ex-presidente.

Impeachment. Ainda durante o evento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil passou por um golpe parlamentar. Para ele, a admissibilidade do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, foi, na verdade, um gesto de vingança política dos deputados e senadores que votaram contra a petista.

"Os deputados e senadores que votaram pela admissibilidade do processo de impeachment de Dilma (Rousseff) carregarão na sua consciência, pelo resto da vida, o fato de terem votado de forma irresponsável, rasgando a constituição, contra uma mulher que não tem contra ela nenhum crime de responsabilidade", disse o ex-presidente.

Lula também criticou as homenagens que os deputados fizeram a seus familiares no dia da votação da admissibilidade do processo na Câmara. "Essa gente não pensa na família, querem tirar do governo um partido que, com todos os defeitos que tenha tido, é o partido que poderia ter a historia mais longeva de governar esse país, que fez em apenas 13 anos o maior processo de inclusão social, sem dar um único tiro, apenas exercendo a democracia e a participação popular", afirmou.

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