EVARISTO SA|AFP
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'Não tenho porque desconfiar um milímetro dele', diz Dilma sobre Temer

Presidente volta a minimizar distanciamento entre ela e seu vice e reafirmou que ainda não foi notificada da saída do ministro Eliseu Padilha, do PMDB

Carla Araújo, Isadora Peron e Tania Monteiro, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2015 | 14h45

Brasília - A presidente Dilma Rousseff tentou minimizar o distanciamento entre ela e seu vice, Michel Temer, disse que sempre confiou no peemedebista e que ainda não foi informada do pedido da demissão do ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil).  

"Não só confio como sempre confiei (em Michel Temer)", disse, após reunião com juristas para tratar da sua defesa do impeachment, da qual Temer não participou. Por ser advogado, a expectativa é que Temer se envolvesse diretamente na defesa. Entretanto, assim que foi deflagrado o processo de impeachment, na última quarta-feira, a presidente teve apenas um rápido encontro com o vice, que descartou participar formalmente da defesa. Auxiliares da presidente dizem reservadamente que a postura de Temer passa a imagem de que ele está conspirando para chegar ao poder.

Dilma, no entanto, negou a tese de conspiração e afirmou que ela preferia manter a posição que sempre teve a respeito do aliado. "Ele sempre foi extremamente correto comigo. Não tenho porque desconfiar um milímetro dele", disse. "Não é essa a posição que eu sei dele e não é isso que ele tem me dito", reforçou, sobre o suposto abandono e conspiração. 

Dilma rebateu ainda que haja silêncio por parte do vice-presidente.  "Silêncio depende de quem está escutando", afirmou, destacando que tem conversado normalmente com Temer. 

Apesar de ter tentando mostrar proximidade na relação, Dilma disse não saber quando ele retorna a Brasília ou se já tinha retornado. "Assim que ele chegar a Brasília, não sei se já chegou, pretendo conversar com ele ainda hoje", disse. Temer cumpre agenda em São Paulo nesta segunda-feira e deve retornar para a capital por volta das 21 horas. 

Casca de banana. A presidente Dilma voltou a dizer que ainda não foi informada sobre a saída do ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil) e evitou dimensionar o peso que a demissão de um dos principais aliados do vice pode ter para o seu governo. "A mim, ele (Padilha) não comunicou nada", disse.

Questionada se a saída de Padilha poderia provocar uma debandada do governo disse apenas: "Nessa casquinha de banana eu não caio não". 

Padilha deve se reunir nesta segunda com o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, para comunicar pessoalmente ao governo sua decisão de entregar o cargo. Apesar de o governo ainda esperar uma conversa com o peemedebista, o cargo dele já estaria em negociação. 

O líder do governo na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), já teria recebido a tarefa de indicar nomes para a vaga. Picciani nega a oferta, mas admite que, se for procurado, irá atender ao apelo do governo.

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