'Não tenho menor dúvida de que fui grampeado', diz Dantas

Banqueiro falou à CPI dos Grampos que teve a sensação de escutas durante disputa societária da Brasil Telecom

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2008 | 16h43

O banqueiro Daniel Dantas  disse nesta quarta-feira, 13, na CPI dos Grampos, não ter "a menor dúvida" de que teve seus telefones grampeados durante a disputa societária da Brasil Telecom. "Tivemos uma nítida sensação que nossas iniciativas estavam sendo passadas aos adversários. E se a disputa já era difícil, com isso, tornava-se mais dramática", contou ele aos parlamentares.  Veja Também:Entenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel DantasDantas acusa Telecom Italia de fazer escutas para prejudicá-lo Ministro do STF manda soltar Braz, braço direito de DantasJuiz do caso Dantas nega ter autorizado grampo no STF Segundo Daniel Dantas, em outras ocasiões ele teve a percepção de que já tinha sido grampeado. Como exemplo, disse que quando o consórcio liderado pelo Banco Opportunity negociava a compra da Companhia RioGrandense de Telecomunicações (CRT), o preço teria sido antecipado aos concorrentes.Dantas afirmou que aos deputados que a suspeita era de que a Telecom Itália teria usado pessoas no Brasil da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Essas pessoas, contou ele, tiveram acesso a correspondência do grupo Opportunity. "Teriam invadido a nossa correspondência", afirmou. O banqueiro disse que as denúncias que relatou na CPI constam de relatório feito pela procuradoria de Milão, na Itália do qual ele não tem cópias uma vez que tramita em segredo de justiça. Parte deste relatório, de acordo com as informações de Daniel Dantas, foi vazado para a imprensa italiana.Dantas explicou na CPI que os indícios de que estava sendo grampeado poderiam ser identificados pelos códigos e codinomes como as conversas se davam. A reunião da CPI foi suspensa temporariamente para que os deputados pudessem ir ao plenário participar da Ordem do Dia.

Tudo o que sabemos sobre:
Operação SatiagrahaDaniel Dantas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.