"Não tenho mais medo de morrer", diz mãe que perdeu a filha assassinada

A comerciante Tânia Mara Nunes Barbosa Petrone, de 42 anos, não teme mais a violência urbana. Durante anos, tentou prender a filha adolescente em casa. Evitava que ela saísse à noite, ficava preocupada com a volta da menina das escola ou do basquete, conhecia os amigos da filha e os pais deles. Priscilla foi assassinada aos 16 anos com um tiro no pescoço, quando participava de uma festa num clube perto de casa, em outubro. ?Não tenho mais medo de morrer, não tenho mais medo da violência. Não tenho ninguém para deixar desamparado. É estranho mas não sinto mais nada a respeito da violência. Não estou nem aí?, diz Tânia, para quem a vida perdeu o sentido depois da morte da única filha. Priscilla era atleta do time de basquete do Grajaú Country Club, participava de um grupo de bate-papo na Internet que se reunia no Norte Shopping e estava terminando o segundo grau. Em outubro, ela já havia sido aprovada em quase todas as matérias. O churrasco no clube Só na Bola era para arrecadar fundos para a festa de formatura. Trezentos estudantes estavam reunidos no clube, quando o policial militar Cristiano Santos Garcia, de 31 anos, descarregou sua pistola contra os jovens, depois de ter sido expulso por seguranças. Priscilla foi atingida no pescoço.Rogério Pereira Aguiar e Diego Pão Alves Cardoso, ambos de 20 anos, foram mortos com tiros na testa. ?Eu estava agoniada e já tinha ligado para Priscilla algumas vezes. Na última um rapaz atendeu. Disse que havia acontecido um acidente. Não perguntei como minha filha estava. Só quis saber se estava viva?, lembra Tânia. Garcia teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. ?Devo isso à delegada Danielle Bessa. A competência dela deve ser motivo de orgulho para as mulheres?.Tânia ainda não se conforma com a fatalidade. ?Trezentos jovens e as balas escolheram três vítimas fatais. Foram tiros certeiros. Só Priscilla era filha única. Um filho não substitui o outro, mas é a razão que os pais encontram para seguir em frente?.Leia tambémBrasileiro troca o casamento pela união informalUm quatro dos bebês brasileiros ficam sem registroViolência matou 109 mil brasileiros em 2002"Ninguém é obrigado a ficar com ninguém"

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