Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Não tenho inimigos na política', diz novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Filiado ao DEM, senador do Amapá recebeu 42 dos 77 votos válidos

Camila Turtelli, Mariana Haubert e Renan Truffi, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2019 | 19h12

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi eleito, em primeiro turno, presidente do Senado com 42 votos. No total, 77 parlamentares votaram na segunda tentativa de votação. Em seu primeiro pronunciamento, após eleição para a presidência do Senado, Davi Alcolumbre adotou o tom conciliador. Ele agradeceu os senadores, com atenção especial a Renan Calheiros e os demais candidatos. "Quero dizer ao Renan Calheiros que ele terá dessa Presidência o mesmo tratamento que todos os partidos devem ter", disse. "Não tenho inimigos na política, a condição de adversário é passageira".

Sua vitória em primeiro turno foi viabilizada depois que o seu principal adversário, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), retirou sua candidatura sob a alegação de que a eleição havia sido "deslegitimada" porque senadores reveleram os seus votos durante o pleito.

Esperidião Amin (PP-SC), teve 13 votos, Ângelo Coronel, 8,  José Reguffe (Sem partido-DF), 6, e Fernando Collor (PROS-AL), 3 votos. Cinco votos foram registrados para Renan porque ele anunciou sua desistência durante o processo de votação.

Na reta final, três candidatos desistiram da disputa. Major Olímpio (PSL-SP), Alvaro Dias (Podemos-SP) e Simone Tebet (MDB-MS) abandonaram a corrida para concentrar os votos em Davi. Olímpio e Dias argumentaram que a fragmentação acabaria beneficiando Renan e, por isso, aceitaram sair da disputa. Já Simone Tebet registrou sua candidatura avulsa de última hora para poder discursar durante a sessão.

Mas, quando Alcolumbre fez o seu discurso como candidato, ele pediu à senadora que abrisse mão da sua candidatura. Ela aceitou e declarou seu voto para o colega.

Durante a votação, senadores contrários ao voto fechado mostraram a cédula para o Plenário e para fotógrafos presentes na tribuna da Casa ao depositarem seus votos na urna.

Como adiantou o Broadcast/Estadão, é passível de punição caso a decisão da Casa tenha sido pela votação secreta. Conforme o Código de Ética do Regimento Interno do Senado Federal, abrir o voto pode levar a perda temporária do mandato.

Alguns senadores também estão usando a internet para declarar o voto.

Os senadores Lasier Martins (PSD-RS),  Antonio Anastasia (PSDB-MG), Mara Gabrilli (PSDB-SP) por exemplo, usaram o Twitter para declararem voto em Davi Alcolumbre (DEM-AL).

Aos 41 anos, Alcolumbre é comerciário com formação incompleta em Ciências Econômicas. Na eleição de 2018, disputou o governo do Amapá. Ele perdeu a eleição para Waldez Góes (PDT). Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou patrimônio de R$ 770 mil. A eleição lhe rendeu uma acusação do Ministério Público Eleitoral por suspeita de pressionar servidores da Secretaria Municipal de Saúde de Macapá (Semsa), em pleno horário de expediente, a participarem dos atos de campanha de Alcolumbre e de sua vice, Silvana Vedovelli.

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