Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

'Não tenho dúvidas de que isso vai passar na história como golpe parlamentar', diz Lindbergh Farias

Em discurso inflamado, senador petista disse que não vai reconhecer eventual governo do vice Michel Temer e criticou as elites do País ao considerar que elas nunca tiveram verdadeiro compromisso com a democracia

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 02h48

BRASÍLIA - Admitindo que a presidente Dilma Rousseff será afastada na votação do Senado, o petista Lindbergh Farias (RJ) anunciou na madrugada desta quinta-feira, 12, que não vai reconhecer o governo do vice-presidente Michel Temer. Em um inflamado discurso, Lindbergh afirmou que os senadores sabem que não há crime de responsabilidade cometido por Dilma e criticou as elites do País ao considerar que elas nunca tiveram verdadeiro compromisso com a democracia.

"Senhores, não se enganem, quero falar aqui para cada senador, eu não tenho a menor dúvida que isso vai passar para a história como um golpe parlamentar para a democracia brasileira", disse o senador, ao defender que os colegas não "manchem" suas biografias em razão de "humores momentâneos".

Para Lindbergh Farias, a oposição não teve lealdade com a Constituição, uma vez que, 48 horas após a reeleição de Dilma, o PSDB declarou "ilegítimo" o pleito de 2014 ao questionar a existência de uma suposta fraude das urnas eletrônicas.

O petista chamou Michel Temer, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de "capitães do golpe". Ele disse que o maior derrotado desse processo de impeachment foram os tucanos e citou o fato de que Aécio registrou nos últimos meses queda em pesquisas de intenção de voto numa eventual corrida ao Palácio do Planalto.

"Eles se perderam nisso tudo e na verdade estão acabando numa situação de sócio minoritário de um governo falido que é esse do Michel Temer", criticou Lindbergh, destacando que esse é o "caminho para o fascismo".

Em seu discurso, o senador do PT repetiu que "ninguém ganharia uma eleição presidencial" se apresentasse o documento 'Uma Ponte para o Futuro', conjunto de propostas divulgadas pelo PMDB ainda no mês de novembro. Ele adiantou que fará uma "dura oposição" contra qualquer iniciativa de retirada de direitos.

Lindbergh defendeu que Dilma deixe o Palácio do Planalto de "cabeça erguida" porque a história lhe dará razão. No discurso, o petista aposta no insucesso do governo Temer e na volta da presidente afastada após o julgamento pelo Senado. "Não durará, daqui a três e quatro meses, nós vamos colocar Temer, esse impostor, para fora do Palácio do Planalto", concluiu ele, sendo efusivamente aplaudido por aliados na saída da tribuna.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.