'Não temos que achar, vamos aguardar', diz Jobim sobre Renan

Ministro da Defesa evita comentar o processo que está sendo julgado no Senado nesta quarta-feira

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

12 de setembro de 2007 | 15h02

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, evitou comentar o julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros. Perguntado se achava que Renan ia ser absolvido, Jobim respondeu: "a gente não deve achar coisa alguma. Tem de esperar os resultados". Diante da insistência dos jornalistas que indagavam se torcia para Renan ser absolvido, Jobim preferiu não responder, dizendo apenas "vamos aguardar".   Veja também: 'Absolvição macula política brasileira', diz especialista  Confusão, soco e discussões marcam 'julgamento'   Cronologia do caso Renan  Entenda o processo contra Renan  Galeria de imagens: confusão, soco e discussões Blog do Piza: Indecorosa absolvição   'Calvário não é só de Renan, é do Senado' PT nega articulação para absolver Renan 'Vou para a igreja rezar', diz Renan após absolvição Deputados e senadores trocam socos antes de sessão Ouça áudio do tumulto no Senado  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado Enquete: você concorda com a absolvição de Renan? Jobim também foi evasivo ao comentar as liminares que foram apresentadas no Supremo Tribunal Federal (STF) para tornar a sessão pública. "Está se falando de uma liminar no Supremo (que aprova o acesso de deputados à sessão). Liminar de Tribunal é para ser cumprida e será cumprida até o momento que for revogada, se for revogada", disse ele. "Temos uma decisão do Tribunal. Certa ou errada, não importa. Ela tem de ser cumprida".     A sessão que julga o presidente do Senado foi interrompida para um rápido lanche. Antes, senadores favoráveis e contrários à cassação de Renan fizeram  intervenções na sessão secreta de julgamento do pedido de cassação do seu mandato.   O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) contou que antes dessa intervenções, os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) apresentaram os argumentos pedindo a cassação do senador.   Depois disso, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), terceiro relator e aliado de Renan, disse que não havia provas consistentes contra o senador, pedindo sua absolvição.   Ivan Valente, que saiu por uns momentos da sessão, disse que há muitos inscritos para falar e só ao final é que Renan apresentará sua defesa. Ivan Valente disse também que como o sistema de som foi desligado, por causa da sessão secreta, há uma certa dificuldade de ouvir o discurso dos parlamentares.   Protesto dos senadores   Na abertura do julgamento, ainda em sessão aberta, alguns senadores protestaram contra o fechamento. Também houve manifestação contra o voto secreto na Casa. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por exemplo, sugeriu que a sessão de votação fosse gravada, "mesmo que fique cem anos em sigilo", para que a população possa ter, um dia, acesso ao que foi decidido nesta quarta-feira.   Os senadores do PSDB, como Arthur Virgílio e Alvaro Dias, também pediram mudança no regimento. Virgílio disse que se sente como se estivesse participando "de uma reunião da máfia", por se tratar de uma reunião secreta. "Vamos às escuras decidir o futuro da instituição. Vamos discutir que 180 anos de Senado não podem ser jogados no lixo por compadrio", disse. "Vamos decidir no escurinho do cinema lá dentro", acrescentou.   Depois da confusão, Jungmann procurou o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para relatar o confronto entre os deputados e seguranças. Chinaglia considerou "inadmissível e inaceitável" o fato e disse que vai pedir investigação rigorosa da agressão aos deputados. Segundo ele, ninguém pode sofrer violência física no Congresso. Chinaglia disse ainda que se tivesse acontecido com senadores no recinto da Câmara ele já teria aberto investigações para apurar responsabilidades.   O que pode acontecer   A previsão é que a sessão secreta dure pelo menos quatro horas. O PSDB, o DEM e o PSB foram os únicos partidos que fecharam votos contra Renan. Os demais deixaram em aberto. A expectativa é de que, pelo menos seis senadores do PMDB votem em favor da cassação. O PT está dividido e a maioria era contra Renan.   Caso o senador consiga salvar seu mandato, as pressões para que se afaste da presidência vão partir de seus próprios amigos. Na avaliação geral, o peemedebista teria perdido as condições políticas para permanecer à frente do Senado. Mas se concordar em deixar o comando do Senado, no caso de absolvido, Tião Viana tem cinco dias úteis, a partir da publicação do resultado da sessão, para convocar novas eleições e fazer o preenchimento do cargo de presidente da Casa.   Mas outra alternativa seria apenas a licença da presidência. Dificilmente ele retornaria ao cargo mesmo porque continuará debaixo de pressão por conta de outros processos que estão tramitando contra ele no Conselho de Ética. Se Renan for cassado pelo plenário, Tião Viana terá de convocar uma nova eleição para preencher a vaga e uma temporada de disputa entrará em cena. A oposição quer o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que faz oposição ao Planalto. Os aliados preferem José Sarney, que poderia retomar o clima de normalidade e preparar a Casa para a votação da emenda que prorroga a CPMF, de total interesse do governo.   Se cassado, Renan pode perder os direitos políticos por 12 anos: os quatro que ainda restam do mandato de senador e mais oito por conta da cassação por quebra de decoro parlamentar. O suplente de Renan é o alagoano José Costa, que já foi deputado do PMDB.  

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