Não temos direito de criticar, diz Lula no 1º de Maio

O presidente Lula afirmou que já não tem direito a criticar, e que agora assume o desafio de transformar em realidade os sonhos do movimento trabalhista. "Temos agora que fazer aquilo que acreditávamos que poderíamos fazer", disse, ao recordar seus tempos de dirigente trabalhista, durante a tradicional Missa do Trabalhador em São Bernardo do Campo. Lula também falou do desemprego e prometeu resolver o problema durante o seu mandato, "ou pelo menos começar a resolvê-lo de forma definitiva". Novamente, Lula evitou falar sobre o novo salário mínimo.O presidente não fez nenhum comentário sobre a mensagem lida pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na íntegra, durante a missa. A CNBB condenou a prioridade ao pagamento dos juros da dívida externa e reivindicou uma política econômica que vise, em primeiro lugar, a promoção do trabalho e inclusão social. "Os recursos públicos devem destinar-se não apenas ao pagamento dos juros da dívida pública interna e externa, mas a investimentos geradores de emprego, na cidade e no campo, e iniciativas que atendam à exigência constitucional de erradicação da pobreza em nosso País", ressaltou a COnfederação documento. "Os credores podem esperar, mas os desempregados, não."Os bispos também ressaltaram que o Brasil atravessa uma profunda crise econômica e social, marcada por taxas recordes de desemprego e subemprego, e uma perda acelerada do poder de compra do salário mínimo e denunciaram que o País é "campeão da má distribuição de terra, renda e riqueza". A CNBB citou, entre outras, as seguintes medidas como necessárias para a reversão do quadro social: reforma agrária e política agrícola, saneamento e reforma urbana, incentivo às experiências alternativas de trabalho e renda, estímulo à agricultura familiar, às organizações dos trabalhadores, à educação e especialmente ao ensino profissionalizante.Lula deixou a Igreja por volta das 11h45, acompanhado da primeira-dama, dona Marisa Letícia e, segundo assessores, dirigiu-se para o apartamento da família, em São Bernardo. Ele não concedeu entrevista.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.