''''Não temo nada. Só temo a Deus'''', afirma senador

Renan insiste em que provará inocência e diz que Lula não pode cobrar nada porque é chefe de outro Poder

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ontem que não teme a possibilidade de a oposição obstruir as sessões enquanto ele permanecer no comando da Casa. "Não temo absolutamente nada. Só temo a Deus. E vou fazer tudo para provar minha inocência." Pouco antes do início da sessão do plenário em memória do senador Antonio Carlos Magalhães, morto no dia 20, Renan respondeu sobre uma possível insatisfação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por causa de atrasos nas votações em razão dos processos. Disse que recebeu anteontem à noite um telefonema do presidente Lula. "Vocês sabem que, com o presidente Lula, mais do que uma relação político-partidária, eu tenho uma relação pessoal, ele é meu amigo." Sobre a possibilidade de Lula cobrar dos senadores a votação de projetos importantes, Renan disse: "Ele não iria cobrar nada do Senado. Ele chefia um Poder. Eu chefio outro".Anteontem, Lula disse que, se houver atraso no Senado em votações de interesse do País, conversará sobre o assunto com os líderes da Casa e dos partidos políticos. Em visita a Honduras, o presidente afirmou: "Nenhum caso individual pode atrapalhar as votações de coisas de interesse do nosso País".AMEAÇASQuestionado se estaria ameaçando os senadores - como fez com o senador José Agripino (DEM-RN), quando se referiu a "negócios, concessões e financiamentos" que o oposicionista teria -, Renan respondeu: "Muito pelo contrário. As pessoas perguntam onde é que eu vou buscar tanta força. E eu tenho dito que a minha força é do tamanho da minha inocência. Tenho me submetido a uma devassa. Outras pessoas, talvez, submetidas à devassa em que estou metido, não agüentariam nem dois dias".Renan comentou também a quebra de seu sigilo bancário e fiscal pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Afirmou que a medida - tomada pelo ministro Ricardo Lewandowski - é "uma oportunidade" para demonstrar que é inocente. "Estou absolutamente tranqüilo. Já fiz as provas contrárias. Respondo pelos meus atos e o que for preciso demonstrar eu vou demonstrar", afirmou Renan. "Meu sigilo já foi aberto. Fiz questão de abrir meu sigilo. Entreguei minhas declarações de renda. Agora, chegou a hora de abrir os demais sigilos", completou, sem especificar se estava se referindo a si próprio ou se fazia uma insinuação em relação a outros senadores.

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