‘Não tem vínculo com a campanha’

Ministro da Comunicação e ex-tesoureiro de Dilma Rousseff em 2014 afirma que ‘tudo foi feito dentro da legalidade’

Entrevista com

Edinho Silva, ministro da Comunicação Social e ex-tesoureiro da campanha petista em 2014

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2016 | 07h52

Responsável pelas finanças da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, em 2014, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, afirma que os pagamentos ao marqueteiro João Santana investigados pela Operação Lava Jato não têm relação com a eleição de Dilma.

De acordo com Edinho, Santana não possui mais contratos com o governo, mas continua atuando como uma espécie de consultor informal, sem remuneração. O ministro admitiu que o envolvimento de Santana com a Lava Jato pode prejudicar a tentativa do governo de entrar em uma pauta positiva.

A campanha de Dilma fez alguma remessa de dinheiro a João Santana no exterior?

De jeito nenhum. Asseguro que qualquer tipo de acusação não tem nenhum vínculo com a campanha da presidente Dilma. O contrato de geração de programas de TV e rádio bem como internet foi declarado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A campanha gastou aproximadamente R$ 70 milhões. Não resta nenhuma dúvida para a campanha que tudo foi feito dentro da legalidade de forma ética e transparente.

Existe algum contrato de João Santana com o governo.?

Em hipótese alguma. Toda a publicidade oficial do governo é feita pelas agências contratadas pela Secom. Asseguro que nenhum tipo de relação tanto da publicidade oficial do governo quanto das intervenções da presidente Dilma é feita fora das agências contratadas pela Secom ou da EBC.

O senhor tem mantido algum contato com Santana?

Tenho dialogado com João Santana e sobre algumas questões relevantes para o país do mesmo jeito que dialogo com outros publicitários para que a gente possa construir uma política de comunicação ouvindo profissionais mesmo que eles não tenham relação formal com o governo. Muitos colaboram, entre eles o João Santana.

Estas colaborações são remuneradas?

Não. É uma ajuda informal. Da mesma forma que consulto a opinião dele consulto outros profissionais da área de comunicação do país.

O senhor pode dar exemplos?

Olimpíada, zika, CPMF.

Quando foi a última vez que o senhor teve algum contato com Santana?

Foi na época da campanha sobre a Olimpíada. Consultei ele e outros profissionais de comunicação.

Estes novos fatos podem reacender o ânimo da oposição para tentar cassar o mandato da presidente Dilma?

A oposição tem liberdade para atuar com a concepção que achar melhor. Mas é uma pena que fiquem todo o tempo afrontando a democracia e um mandato que foi eleito pela vontade popular. A oposição tem o direito de fiscalizar e acompanhar os atos d governo mas tentar politizar uma investigação e tentar fazer dela um instrumento para deslegitimar um mandato é ruim para a democracia. O poder no Brasil se alterna. A oposição já foi governo, amanhã ela tem tudo e pode ser novamente governo, isso depende da vontade popular. É ruim ficar abrindo precedentes e enfraquecendo a democracia ao questionar um mandato legítimo.

O envolvimento de João Santana atrapalha o andamento de outras agendas do governo como a tentativa de retomada do crescimento econômico?

A crise política que muitas vezes é alimentada por setores que apostam no quanto pior melhor, toda vez que é intensificada ela dificulta a tomada de decisões no campo econômico, dificulta a aprovação de medidas no Congresso. Portanto ela acaba dificultando que o Brasil saia da crise. O ideal seria que a oposição cumpra o seu papel mas que houvesse uma agenda de interesse nacional deixando a disputa partidária eleitoral em segundo plano.

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