'Não tem negociação na hora de votar a CPMF', diz Lula

Na África, presidente diz também que sairá caro se a prorrogação do tributo não for aprovada no Senado

Leonencio Nossa e Cida Fontes, da Agência Estado,

16 Outubro 2007 | 11h46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira,16,  em entrevista na República do Congo, que não aceita barganhar com opositores e aliados a aprovação da emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011. Ele cobrou lealdade da base de sustentação do governo no Congresso. "Na hora de votação não tem negociação", disse.   "Não posso (aceitar) que a cada negociação alguém me entregue uma reivindicação e diz: eu não voto isso", reclamou. "Assim não faço política."   Veja também:    Especial: entenda a cobrança da CPMF    Lula disse também que o País poderá ter problemas caso a proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011 não seja aprovada. "Sairá caro se não for aprovada", disse. "Quero ver quem no planeta Terra pode prescindir de R$ 40 bilhões", acrescentou ele, referindo-se à expectativa de arrecadação anual do "imposto do cheque".   Na viagem à África, Lula vem mantendo contatos diários por telefone com o ministro de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, e líderes do governo, por causa da CPMF e da sucessão no Senado. Ele cobrou empenho dos aliados. "Ou temos uma base aliada construída em relação a sete pontos que assumimos, compromissos, ou não temos base aliada", avaliou. "Espero a compreensão de todos."     Barganha   A uma pergunta sobre reclamações do senador e aliado José Sarney (PMDB-AP) por mais espaço no governo, um dos supostos pedidos de barganha, Lula usou a própria família como metáfora. "Quem tem cinco filhos aprende a conviver com as reclamações", disse. "Acho normal que as pessoas reclamem, o que posso dizer é que não tenho demanda de nenhum senador na minha mesa."   Lula lembrou que, no passado, a maioria dos senadores votou pela CPMF. "Todos os senadores que estão lá, com raríssimas exceções, já votaram a CPMF", disse. "Acho importante que todo mundo releia o discurso que fez há quatro anos ou oito anos e mantenha a posição que justificava a aprovação da proposta."   O presidente disse que o Senado é soberano para tomar suas decisões, mas deve dizer, se não aprovar a CPMF, de onde o governo vai tirar dinheiro para projetos do PAC. "Você não pode tirar do custeio", afirmou. "Espero que na hora que algum senador votar contra ele diga de onde vamos arrumar R$ 40 milhões para fazer o que precisamos fazer", afirmou. "É só isso que eu quero, só isso", completou. "Seriedade, nada mais do que isso, pois hoje quem precisa da CPMF não é o governo, é o País."   Ele ainda criticou o discurso supostamente contraditório da oposição. "O discurso de quem quer mudar a CPMF e de quem sonha acabar com ela é tentar reparti-la", disse. "Se reparti-la entre estados e municípios nunca mais acaba a CPMF", avaliou. "Esse é um dado político."     O governo trabalha com meta de aprovar até dezembro a prorrogação da CPMF. "Vamos trabalhar 24 horas por dia até o final do ano. Nosso calendário é aprovar (a CPMF) até 18 ou 19 de dezembro, mas se aprovarmos no dia 22 de dezembro, está bem", disse nesta terça-feira, 16, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. "O governo não tem plano B."   Relatório   A pressa do governo não contaminou a relatora da emenda, senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Ela disse também nesta terça-feira, 16, que vai cumprir os 30 dias previstos no regimento para apresentar seu parecer sobre a CPMF na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. "Não tem acordo para encurtar prazo como quer o PT. Quero os 30 dias para convencer meus colegas para votar com o meu parecer", disse, acrescentando ser essa a posição oficial do DEM.   Na noite de segunda-feira, 15, a cúpula do partido fez se reuniu em São Paulo para reforçar a determinação de fazer uma campanha contra a CPMF. "Não há a menor hipótese de reduzir prazo. O governo deveria ter apressado a votação na Câmara, mas foi complacente com os deputados. Agora no Senado querem aprovar em 10 dias?", questionou a relatora.   Segundo ela, na reunião de líderes nesta  terça com o presidente em exercício do Senado, Tião Viana (PT-AC), o senador José Agripino (DEM-RN) vai reafirmar essa posição do DEM. "Queremos que o senador Tião respeite o regimento", observou Kátia.   Texto atualizado às 13h30

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