Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

'Não sou idiota de acreditar em uma defesa como essa', diz governador tucano sobre Cunha

Procurador da República especializado em lavagem de dinheiro, Pedro Taques (MT) vê fragilidade e 'ficção' em alegação do peemedebista

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2015 | 14h48

O governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), classificou na segunda-feira, 9, como "risível" a defesa apresentada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é acusado pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento com uma propina de US$ 5 milhões do esquema de corrupção na Petrobrás e de ter dinheiro em contas secretas na Suíça. "Não sou idiota de acreditar em um defesa como essa. Você dizer que o dinheiro veio de carne moída vendida para África é achar que o cidadão brasileiro não tem noção do que ocorre no mundo ideal. É uma defesa ficítica", afirmou o tucano em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Cunha alega que parte dos recursos depositados no exterior foram obtidos com a venda decarne enlatada para países da África no fim da década de 1980. O deputado também afirma que conseguiu bons resultados operando no mercado financeiro na década de 1990. O Conselho de Ética da Câmara analisa um pedido de processo por quebra de decoro contra Cunha, sob alegação de que ele teria mentido ao dizer à CPI da Petrobrás que não tinha contas na Suíça. Em sua defesa, o presidente da Câmara afirma que seria beneficiário de um "trust" - fundo gestor de bens e valores de terceiros.

Para Taques, que foi procurador da República especializado em lavagem de dinheiro e combate a organizações criminosas, a alegação tampouco se sustentaria.  "Se é um trust ou não, a propriedade não se desnvincula daquele que criou a presonalidade jurídica", afirmou. Antes de se eleger governador, o tucano foi senador entre 2011 e 2014, pelo PDT mato-grossense, e atuou no combate ao crime organizado no Estado - ele trabalhou nas investigações que levaram à prisão do bicheiro João Arcanjo Ribeiro, o Comendador.

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