'Não sou eleitor de cabresto', diz candidato do PSOL à presidência do Senado

Senador Randolfe Rodrigues anunciou candidatura à direção da Casa; favorito ao posto, Renan Calheiros, é alvo de críticas de rivais

Ricardo Brito, de O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2013 | 08h22

BRASÍLIA - No mesmo dia em que senadores lançaram um manifesto comparando a volta de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado à escolha comandada pelos "antigos coronéis do interior", o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) anunciou que também é candidato à direção da Casa. A eleição, em votação secreta, está marcada para o dia 1.º de fevereiro.

 

Para o senador do PSOL, que diz ter o apoio dos cerca de dez parlamentares que se denominam independentes, há "sempre" o risco de o Senado voltar à crise política se não forem mudados os procedimentos e a conduta na Casa. Entre as propostas, Randolfe defende que haja votação de projetos todos os dias no Congresso. Ele também é favorável a uma reforma administrativa e à formação de um comitê de fiscalização dos gastos do Senado.

 

No seu primeiro dia de mandato, o sr. disputou a presidência do Senado com José Sarney (PMDB-AP) e teve apenas oito votos. Por que o sr. quer novamente disputar o cargo?

Quero me candidatar, primeiro, porque não sou eleitor de cabresto e não acho que o Senado é a República Velha, quando os eleitores saíam com seu candidato predefinido e a cédula já marcada.

 

O sr. será candidato apenas para protestar ou acredita que tem condições de vencer?

Jamais trabalhei para perder em nenhuma eleição que me envolvi. Apresento minha candidatura como alternativa. Acho que é um bom momento para que todos os parlamentares que criticam a falta de independência do Congresso terem uma opção parar votar.

 

Quais são suas propostas?

Primeiro, que o Senado tenha uma agenda para o Brasil e não seja o receptor da agenda do Executivo. Tem de ter uma relação com os demais Poderes da República, como estabelecido pela Constituição. Se eu for eleito presidente do Senado, a primeira medida é instituir que as sessões de votação ocorram de segunda a sexta-feira. Em um desses dias, o Congresso seria convocado para realizar votações, para que nunca mais os deputados e senadores passem pelo vexame de apreciar de uma só vez mais de 3 mil vetos presidenciais.

 

O sr. é um dos signatários do manifesto que compara a volta de Renan Calheiros à presidência da Casa à escolha feita pelos antigos "coronéis do interior" na época da República Velha. Por que a comparação?

Minha crítica não é a ele diretamente, mas à forma do candidato definido para ser presidente do Senado, que é do maior partido e não tem contestação, que se assemelha às escolhas feitas na República Velha. A crítica está aí, mas se a carapuça servir... Eu acho que ele tem responsabilidades com o maior partido do Congresso, que deve presidir a Câmara e o Senado, partido do qual ele é líder.

 

Na sua opinião, com a eventual eleição de Renan Calheiros o Senado corre o risco de novamente voltar ao noticiário político, envolvido em uma crise?

Acho que existe sempre o risco de crise, se não mudarmos a conduta, os procedimentos do Senado, para ele voltar a ser um Poder altivo, republicano e independente. A iminência de crise sempre paira. Se não der transparência aos seus gastos, o risco de crise permanecerá. A pior crise de uma instituição é a crise de valores, que para um homem republicano é o que importa.

 

O PMDB caminha para presidir a Câmara e o Senado. Qual sua opinião sobre isso?

Eu acho que é muita concentração de poder e mais do mesmo, parece até capítulo de uma novela que conhecemos o enredo e que acontecerá no final. O Senado é composto por homens da República. E, segundo uma frase do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o homem republicano coloca a biografia na frente do currículo e o currículo na frente do patrimônio. É o que queremos.

 

 

 

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