'Não sou Demóstenes Torres', diz Jefferson

Um dos 38 réus do julgamento, ex-deputado se compara ao senador cassado e diz que não é 'duas caras'; ele acredita que será absolvido

26 Julho 2012 | 18h39

Delator do esquema do mensalão, o ex-deputado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse acreditar na sua inocência e absolvição no julgamento.  Ele é um dos réus do caso que será julgado pelo STF no dia 2 de agosto. Jefferson também disse que acredita na inocência do ex-presidente Lula. Na sexta-feira, 20, ele disse que, se politizarem o julgamento, 'Lula pagará a conta'.

Como se sente a poucos dias da cirurgia?

Fisicamente, um pouco cansado. A rotina de exames é pesada. Emocionalmente, muito bem, pronto para a luta. Hoje vivo perseguido pelas mulheres. Nunca corri de mulher, agora estou correndo. Tenho pesadelo: a mulher da foice, com aquele capuz, e a mulher da venda nos olhos e a espada. Corro para um lado e a mulher da foice vem atrás de mim. Corro para o outro, vem a mulher da espada.

Apesar disso, o senhor diz que não será condenado. Como tem essa certeza?

Não é possível me envolverem no mensalão. Meu nome não é Demóstenes (Torres, senador cassado), não tenho duas caras. Eu não poderia avisar ao governo "esse pessoal tá pagando voto" e fazer igual. Mensalão é o pagamento em plenário. Acordo de eleição é outra conversa. O PTB recebeu dinheiro do PT por um acordo. Não lavei dinheiro. Não fiz fortuna, sou classe média alta. Revistaram a minha vida. Tenho R$ 30 mil de renda por mês, vivo com dignidade.

Por que seu advogado vai sustentar que o ex-presidente Lula ordenava o mensalão, se o senhor diz que Lula é inocente?

Acredito na inocência porque ele (Lula) mostrou surpresa. Acho que demorou a reagir, mas não deduzo, vou até onde tenho convicção. É a linha de defesa do advogado. Tivemos uma dura discussão. Eu disse: "O presidente Lula não". Ele disse: "Você pode me destituir". Entendo o caminho dele, tem uma tese.

Acredita na condenação do ex-ministro José Dirceu?

Não vou apostar contra ninguém. O José Dirceu me atingiu, quando estava na Casa Civil. Dei o troco. Ele me derrubou, eu o derrubei. Mas na nossa rinha.

Tem planos de voltar ao Congresso, quando terminar o prazo da inelegibilidade?

Tem que esperar a biópsia. Hoje tenho menos preocupação com a sentença do Supremo do que com a sentença da biópsia. Se for de curto prazo, eu vou dizer: "Um beijo pra todo mundo e vou andar de Harley Davidson, vou para a estrada!

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