Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

'Não sou de intimidades com ninguém no Conselho de Ética'

Novo relator do caso Moreira, Nazareno Fonteles fala ao estadao.com.br e nega ter decisão sobre processo

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

14 de maio de 2009 | 12h10

Após várias tentativas, o presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PR-BA), conseguiu destituir na última quarta-feira o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) da relatoria do caso Edmar Moreira (sem partido-MG) e escolheu Nazareno Fonteles (PT-PI) para o cargo.

 

Moreira, que ficou conhecido por ser dono de um castelo de R$ 25 milhões, registrado em nome dos dois filhos, é alvo de processo por mau uso da verba indenizatória a que os parlamentares têm direito. Perguntado sobre a sua posição no caso, Moraes chegou a dizer que não via motivos para condenar o colega e que estava se "lixando" para a opinião pública. Considerado como um voto antecipado, a declaração de Moraes motivou a sua substituição.

 

Um dia após assumir a função, Fonteles falou ao estadao.com.br sobre suas expectativas para o caso, escolha para a função e negou ter feito qualquer tipo de acordo para não cassar Moraes: "Não tenho intimidade com ninguém do Conselho de Ética".

 

 

Confira a entrevista:

 

 

 

Como foi a escolha, como o senhor soube?

 

Eu tinha me ausentado da reunião do conselho (ontem) para votar no plenário da Casa e quando estava voltando, um companheiro do meu partido, outro deputado,  parou para conversar comigo. Quando eu cheguei, a reunião já tinha terminado e alguém me disse: 'o novo relator é o Fonteles'. Aí eu pensei: 'Fonteles sou eu'.

 

O que o senhor achou da escolha?

 

Ainda estou absorvendo o impacto da função e querendo fazer um trabalho muito sério, ouvir quem eu tenho de ouvir e cumprir a minha missão. É a minha primeira vez como relator, no Conselho de Ética e que tenho de julgar algum dos meus pares. Vou me atentar ao conteúdo da decisão, ao relatório.

 

O que o senhor acha das declarações do seu antecessor?

 

Olha, desde ontem, não comentei aquilo que se relaciona à postura do outro relator (Sérgio Moraes). Eu agora sou relator e qualquer coisa que eu disser não vai mais parecer como opinião minha. Enquanto estiver com esse ônus, tenho que optar por essa economia de palavras para realizar este dever.

 

Mas, como deputado, eleito pela opinião pública, o que o senhor acha?

 

Não dá para separar, né? Pode atrapalhar o processo.

 

Sobre um possível acordo com outros deputados para apenas suspender Moreira, o que o senhor tem a dizer?

 

Evidentemente é mentira. Se eu aceitasse negociar, deveria ter um processo contra mim por quebra de decoro parlamentar. Seria antiético, isso não existe. Como é que eu substituiria justamente alguém que foi criticado por isso (por antecipar o voto)? Não dá.

 

Não tem acordo então?

 

Não sou de intimidades com ninguém no conselho de ética, nem mesmo o presidente. É só observar a minha história, meu partido, meu trabalho. Sou totalmente livre, aceitei porque quis, não teve pressão nenhuma, assumi livremente.

 

E os próximos passos?

 

Após esta fase inicial, dos depoimentos, em que o Moreira vai falar também (na semana que vem, dia 20, esta previsto o depoimento do deputado), e depois os outros mencionados no antigo relatório, vou observar. Próxima semana vou ouvir quem estava previsto, peguei o barco andando e quero dar agilidade ao processo, mas não posso dar uma data. Vamos esperar.

 

Qual o prazo para a conclusão?

 

Olha, agora vou analisar o processo, queria fazer dentro do prazo, que são 90 dias, mas há coisas que impedem como o próprio ritmo da Câmara e outras discussões. Suspendi minha agenda para Curitiba como convidado para palestrar em um evento para me debruçar sobre o processo. Claro que terei ajuda de assessores, mas quero pessoalmente cuidar de todos os problemas.

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