"Não sou candidato", diz Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB),foi incisivo hoje ao afirmar que não é candidato à presidência da Republica e considerou prematuro o debate sucessório. "Não sou candidato a presidente", disse, ao comentar as informações de que o lançamento do seu nome está sendo articulado pelo PFL."Não é possível antecipar o processo sucessório do presidente Fernando Henrique Cardoso", argumentou. "Discutir isso agora é ruim tanto para o governo, porque você o encurta, quanto para a população que quer ver seus problemas resolvidos e não discutir eleição um ano e meio antes", acrescentou.Na avaliação do presidente nacional e também secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento, José Aníbal, o debate é inoportuno. "Este não é o momento. Antecipar os fatos implica num processo de desgaste. O ideal agora é tornar o partido mais afirmativo e mais presente", comentou.No entanto, Aníbal não descartou a possibilidade de lançar o governador de São Paulo à sucessão de FHC. "É um tema a ser discutido pelo próprio Alckmin e o partido. Esse assunto não está sendo colocado hoje, mas não se pode impedir que se fale disso. É um reconhecimento ao desempenho de Alckmin como governador. É um grande nome", disse.O presidente do PSDB comentou que ainda não sabe se a aliança de sustentação do governador Fernando Henrique, integrada por PSDB, PFL e PMDB, será mantida para as próximas eleições, mas ponderou que considera necessário algum tipo de acordo partidário. "Esperamos fazer aliança, pois nenhum partido governa o Brasil sem maioria política. Só que não sabemos se a atual aliança será ou não reproduzida, mas certamente teremos uma (aliança) suficientemente forte para ganhar a eleição presidencial", disse.Aníbal admitiu que o impacto político da crise energética sobre o governo é "muito grande", mas garantiu que o presidente Fernando Henrique está fazendo sua parte para enfrentar o problema. Segundo ele, a população está reagindo de maneira positiva no sentido de economizar energia.Faculdade - As declarações de Alckmin e Aníbal foram feitas hoje no bairro Arthur Alvim, na zona Leste de São Paulo, durante vistoria do início das obras da Faculdade de Tecnologia (Fatec Zona Leste). A primeira faculdade pública do local vai oferecer cursos de tecnologia da produção com ênfase em plásticos e informática voltada para gestão de negócios ou logística, além de técnico em informática. O governo está investindo R$ 7,6 milhões na obra.Em clima de muita festa, o governador disse que o local era apontado para ser um Centro de Detenção Provisória (CDP), mas houve um manifesto da população contra a construção do cadeião. "Acho até justo, pois trata-se de uma área nobre e muito bem localizada. Então, o Covas desautorizou a construção do cadeião", explicou.A instituição será feita em uma das áreas mais carentes da capital paulista onde vivem mais de 3,5 milhões de habitantes. "Será a primeira faculdade pública da zona Leste, a terceira Fatec da cidade de São Paulo e da décima do Estado", disse o governador. Segundo ele, a previsão é que a faculdade seja inaugurada em janeiro de 2002, já com vestibular. Alckmin disse que além da Fatec, o governo estadual está negociando uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) para implantar um campus avançado da USP na zona Leste.Em seu discurso à população de Arthur Alvim, o governador disse que antes de ir até o local onde será construída a faculdade, foi à missa agradecer, pois "este é um dia muito alegre e de vitória". Ele também comentou que sua mulher, Maria Lúcia Alckmin, tinha mandado um abraço a todos os presentes. "A Lú mandou um abraço a todos vocês". O presidente da Assembléia Legislativa, Walter Feldman, também presente ao evento, juntamente com a população, mencionou a frase "Covas você está presente. Viva a Zona Leste. Viva o governador Alckmin."

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