Paulo Giandalia/Estadão
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Não somos ladrões, afirma Carvalho ao deixar o governo

No discurso de despedida do comando da Secretaria-Geral da Presidência, ex-ministro rebate ataques contra o PT e elogia Dilma

Nivaldo Souza, Ricardo Brito e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2015 | 16h33

Brasília - Em discurso de despedida do comando da Secretaria-Geral da Presidência da República, o ex-ministro Gilberto Carvalho afirmou que a gestão petista não é formada por "ladrões" e que "os que cometeram erros" foram devidamente punidos. "A imensa maioria dos nossos companheiros, ministros e assessores trabalha aqui por amor, para servir. Nós não somos ladrões", afirmou. "Volto para casa com minha quitinete rural e meu apartamento aqui (em Brasília), que financiei em 19 anos no Banco do Brasil", disse. Carvalho transmitiu o cargo oficialmente para o novo titular da pasta, Miguel Rossetto, também do PT.

O ex-ministro afirmou ainda e que voltava para casa sem "levar desaforo" e que os petistas que erraram pagaram pelo erro, numa referência indireta aos presos no mensalão. "Cada um dos companheiros que cometeu erro foi punido e pagou um preço. Isso espero que se torne o novo padrão, republicano, seja quem esteja no governo", destacando o ex-ministro das Comunicações Luiz Gushiken, morto no ano passado em razão de um câncer, como uma "pessoa injustiçada, que morreu sem ser reconhecido".

Sem citar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que após perder a corrida presidencial associou o PT "organização criminosa", Carvalho afirmou que "eles" consideram pobres como "quadrilha". "Para aqueles que disseram que ganhamos (a reeleição de Dilma) como quadrilha, quero dizer que essa é nossa quadrilha, porque para eles pobre é uma quadrilha", afirmou. "Para alguém que disse que perdeu as eleições para uma quadrilha, essa é a nossa quadrilha, a dos pobres", disse.

Carvalho afirmou que o PT se mantém fiel à realização de "mudanças das condições de desigualdade" do País. "É por conta dessa gente (os mais pobres) que ganhamos as eleições. É por conta desse tipo de mudança (social) que ganhamos as eleições", afirmou.

O ex-titular da Secretaria-Geral, que agora vai assumir a presidência do conselho do Serviço Social da Indústria (Sesi), também elogiou o "uso do aparelho do Estado" pelo PT ao longo dos 12 anos de governo do partido a partir de 2003, garantindo políticas sociais. "Nosso governo conseguiu fazer o essencial que é fazer a mudança fundamental da lógica de uso do aparelho do Estado", considerou.

Fiel a Dilma. Em seu discurso, Carvalho elogiou a "conduta pessoal" da presidente Dilma Rousseff e o "rigor ético" na "forma como conduziu o governo" no seu primeiro mandato.

Ele disse que deu "muita dor de cabeça" à presidente com declarações polêmicas à imprensa em momentos de "sincericídio". "Essas bombas em nenhum momento me arrependi", afirmou.

Carvalho deixou a Secretaria-Geral declarando fidelidade a Dilma mesmo fora do governo. Ele vai integrar o Conselho de Administração do Sesi. "O meu acerto com a presidente Dilma está devidamente feito e serei fiel a ela aonde estiver", declarou.

"O sentimento que tenho nesse momento é de profunda gratidão, de profunda 'gracias a la vida'", disse, mencionando a música da chilena Violeta Parra. "É uma gratidão naturalmente enorme ao nosso companheiro Lula".

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