'Não somos demos', diz líder do DEM em resposta a Lula

Presidente disse mais cedo que se o partido de oposição votar contra CPMF, 'é problema deles'

ANA PAULA SCINOCCA E ROSA COSTA, Agencia Estado

18 de outubro de 2007 | 19h50

Os senadores do DEM reforçaram nesta quinta-feira, 18,  a posição do partido contrária à prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Boa parte da reação foi provocada pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em seu sétimo giro pela África, chamou o partido de José Agripino Maia (RN), líder da sigla no Senado, de "demos".  Veja também: CPMF: entenda o 'imposto do imposto' e veja gráfico  Dê sua opinião sobre a CPMF   DEM pode expulsar quem votar a favor da CPMFSe os 'demos' forem contra a CPMF, é problema deles, diz Lula "O presidente Lula tem tido uma postura arrogante e auto-suficiente. Não somos ''demos'', somos democratas e temos por filosofia não aceitar que a carga tributária do Brasil continue sendo a mais alta de todas", afirmou o senador.   Agripino disse que a declaração de Lula vai na contramão da postura do presidente em exercício José Alencar que, ontem, esteve com ministros no Senado acenando com uma negociação para aprovar a prorrogação da CPMF o mais rápido possível, como quer o Planalto.  "Um dia o José Alencar vem aqui todo cortês e, no dia seguinte, o presidente se refere ao nosso partido de forma descortês e injusta. Que confronto com a atitude do presidente em exercício, que veio propor um diálogo num gesto de gentileza", discursou o líder dos Democratas na tribuna do Senado.Apesar da decisão de se manterem contrários à CPMF, os próprios integrantes do DEM no Senado - são 14 - acreditam que a matéria será aprovada na Casa, pois o Planalto "jogará pesado" para atingir seu objetivo. "O governo vai fazer o diabo. Será cooptação a qualquer preço", previu Agripino. "Isso para eles (governistas) são R$ 40 bilhões", prosseguiu.  Sem condicionante A uma pergunta sobre propostas levantadas no Senado para reduzir a alíquota da CPMF e isentar da cobrança quem ganha até R$ 1.200,00 ou até R$ 1.700,00, Lula respondeu: "Não tem condicionante. Nós queremos votar (no Senado) a CPMF do jeito que ela foi aprovada na Câmara", afirmou. O presidente voltou a pedir "serenidade" e "responsabilidade" aos senadores na discussão da emenda que prorroga a CPMF. Disse que não há como, "em um passe de mágica", cortar do Orçamento R$ 40 bilhões anuais - valor estimado da arrecadação da CPMF para o ano de 2008. Lula disse que os senadores sabem que não é possível cortar recursos destinados a salários e custeio. "Não é possível. Eu já disse: a CPMF não é um problema do presidente da República, não é uma necessidade do presidente Lula, mas do Brasil."

Tudo o que sabemos sobre:
CPMF

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.