Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

'Não sigam as orientações do presidente da República', afirma Doria

Governador diz que Bolsonaro, que ontem visitou comércio de Brasília, 'lamentavelmente não lidera o Brasil no combate ao coronavírus e na preservação da vida'

Paloma Cotes, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 14h02

O governador João Doria (PSDB) voltou a criticar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro durante coletiva na tarde desta segunda-feira, 30, para anunciar medidas de combate ao avanço do coronavírus no Estado de São Paulo. Questionado por jornalistas sobre a presença maior de pessoas nas ruas no final de semana, Doria reforçou a orientação para que a população fique em casa e não siga as falas ou gestos de Bolsonaro, que visitou o comércio em Brasília ontem. "Neste caso, não sigam as orientações do presidente da República do Brasil. Ele não orienta corretamente a população e lamentavelmente não lidera o Brasil no combate ao coronavírus e na preservação da vida", afirmou.

Doria também foi questionado sobre a possibilidade de um decreto federal vir a liberar o trabalho de outras atividades no País que não só os serviços essenciais. O governador reforçou que o Estado continua alinhado com os profissionais do Ministério da Saúde. "Decisões sensatas e equilibradas do Ministério da Saúde, não temos críticas a fazer. Enquanto continuar assim, estaremos alinhados com o governo federal sob o comando do ministro (Luiz Henrique) Mandetta. Se houver alguma decisão diferente daquela que corresponda a um embasamento científico, técnico e de saúde pública, nós reavaliaremos. O que não aceitaremos serão medidas de outra ordem", disse. "Em São Paulo, nosso objetivo primordial é salvar vidas. Estamos preocupados em salvar vidas, salvaremos pessoas, consumidores e a economia."

O governador lançou uma campanha publicitária que será veiculada até o dia 6 de abril em rádio, TV e redes sociais. A peça afirma que, contra o coronavírus, as pessoas devem seguir a recomendação de ficar em casa, que é dada por especialistas, Organização Mundial da Saúde (OMS), governantes europeus e até pelo presidente americano Donald Trump. "A economia a gente trabalha e recupera. A vida de quem a gente ama, não dá pra recuperar."

O avanço da doença vem fazendo com que Doria e Bolsonaro tenham embates frequentes. Em uma reunião com governadores do Sudeste na semana passada, os dois bateram boca. Na sexta, durante vistoria do hospital de campanha que está sendo construído no Pacaembu, Doria afirmou que  “O Brasil precisa discutir quem será o fiador das mortes no País".

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