Não serei candidato; não há hipótese de reeleição, diz Lula

Presidente disse que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, 'é a pessoa mais gabaritada para assumir a função'

João Domingos e Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 13h57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 19, no café da manhã com jornalistas, que não é candidato a nada. Ele reafirmou que não há hipótese de reeleição e que não trabalha, também, com a hipótese "absurda" de alguns companheiros, de voltar em 2014. "Juscelino (ex-presidente Juscelino Kubitschek) achou que voltava e não voltou", lembrou Lula, para quem ex-presidente não deve torcer e nem dar palpites. "Ex- presidente deve ficar calado. Só vai falar quando for chamado. Todo ex-presidente tem muito telhado de vidro", afirmou Lula. Ele disse, também, que "jamais" se candidatará ao Senado e que "jamais" voltará ao parlamento. "O presidente tem que ter a noção exata do cargo que exerceu. Não pode ficar por aí disputando cargo", afirmou. Lula disse que tem gente demais querendo o cargo de presidente. "Todo mundo quer ser presidente. Dizem que envelhece, é espinhoso, deixa o cabelo branco, mas todo mundo quer. E quem está aqui não quer sair", afirmou. Lula ressaltou que "faz bem à democracia" o rodízio de pessoas na presidência.  O presidente disse que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, "é a pessoa mais gabaritada para assumir a função de presidente da República". Lula, porém repetiu que ainda não conversou com a ministra, sobre o assunto. "Até porque isso vai depender de como fazer para torná-la conhecida", disse o presidente.  Segundo ele, a ministra tem tudo para se tornar conhecida, pelo trabalho que vem desempenhando, no acompanhamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula reconheceu, também, que como presidente tem condições de transferir votos, mas insistiu que tudo vai depender da ministra Dilma. O presidente disse que ainda não tocou no assunto com ela, porque quando isso ocorrer, a conversa será definitiva. O presidente disse ainda que não conhece nenhuma rejeição por parte do seu partido (PT), em torno do nome da ministra para se candidatar à sua sucessão. E deixou claro de Dilma Rousseff é sua preferida para o cargo. Ele disse ser uma pessoa sensível, mas que não se deixa seduzir pelos índices de popularidade que conquistou, segundo recentes pesquisas de opinião pública. Uma delas indica uma popularidade de 84%. "Sou uma pessoa sensível, mas não me deixo seduzir, porque quem sobe pode cair. Apareceu agora que eu tenho 84%. Como não posso passar de 100%, a tendência será de cair. Mas eu não deixo o ego subir. Porque se eu deixar subir, quando cair pode bater o desespero. Eu já fiquei com 25%, em 2005, vocês se lembram, e agora estou com 84%", lembrou o presidente, referindo-se ao período das denúncias do "mensalão". Ao ser perguntado em quem jogaria os sapatos, numa referência ao episódio da sapatada de um jornalista iraquiano contra o presidente norte-americano, George W.Bush, Lula disse que não daria sapatada em ninguém. Ele acredita, porém, que a partir de agora haverá mais dificuldades para os repórteres, com a possível colocação de vidros entre os jornalistas e os entrevistados. Os seguranças, brincou, deverão exigir também sapatos mais "cheirosos e leves", para não machucar ninguém. Mas ressaltou que acha que os entrevistados têm direito de dar sapatada, também, em quem fizer pergunta tola.

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