Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Não serão toleradas críticas a Dilma e ao PAC, avisa Lula a Minc

Esta semana, presidente terá uma conversa decisiva com ministro do Meio Ambiente para resolver atritos

Leonencio Nossa, Tânia Monteiro e Gerusa Marques, de O Estado de S. Paulo,

02 de junho de 2009 | 19h22

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou avisar ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que não tolera críticas públicas entre ministros e ataques ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro chefe da candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010. Na quinta-feira, 4, Lula e Minc terão uma conversa decisiva, no Centro Cultural Banco do Brasil, sede temporária da Presidência da República, segundo um assessor.

 

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Antes de viajar para a América Central, Lula foi surpreendido, na semana passada, com ataques de Minc às obras de infraestrutura do governo, como a construção da BR-319 e de hidrelétricas no Rio Araguaia. Por telefone, Lula pediu "tranquilidade" aos ministros que sofreram críticas. O presidente orientou Dilma, Edison Lobão (Minas e Energia), Alfredo Nascimento (Transportes) e Reinhold Stephanes (Agricultura) a não reagirem até ele ouvir o ministro do Meio Ambiente.

 

Lula não tem estilo de demitir ministros para resolver uma crise política, observou um assessor. Mas a decisão de marcar a audiência foi uma forma de deixar claro sua irritação com a postura de Minc. As declarações do ministro do Meio Ambiente foram dadas às vésperas do 7º balanço parcial do andamento das obras do PAC. O levantamento será divulgado na manhã de hoje, quarta-feira, no Itamaraty.

 

O próprio Lula comandou ontem a "operação abafa". Em entrevista na Guatemala, o presidente se esforçou para demonstrar que não há "problema" no governo, mas "visões diferentes". Disse que não iria "puxar a orelha" de ninguém, pois quando era criança, de tanto apanhar do pai, ficou com a orelha "meio caída". "Tenho muitos filhos, toda a vez que o pai sai de casa a meninada faz algazarra mais do que deveria", disse. As declarações polêmicas do ministro do Meio Ambiente, porém, foram dadas na quinta-feira passada, quando o presidente ainda estava no País.

 

Lula não disfarçou, no entanto, o incômodo com a "visão diferente" de Minc. "O que eu acho é que às vezes você não pode externar a sua visão sem saber que repercussão ela pode ter no outro, e isso vale para todo mundo", afirmou o presidente. "Imagina no campo de futebol, se os jogadores começam a se xingar alto pra torcida ouvir, pra imprensa descobrir, acaba o jogo", completou. "Deixa eu chegar lá, você vai perceber que não teremos mais problema de divergências."

 

Embora tenha minimizado em público o episódio, Lula ainda avalia se irá na sexta-feira a Caravelas e ao Arquipélago de Abrolhos, no litoral baiano, participar de uma série de eventos ao lado de Minc em comemoração ao dia do meio ambiente. A viagem ainda não foi confirmada pela Presidência da República. Até o momento, não clima para solenidades na área.

 

Jirau

 

O ministro do meio ambiente, Carlos Minc, disse que a licença ambiental definitiva para a construção da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (Rondônia), deve ser liberada na quarta-feira, 3. "Tenho a impressão que (a licença) sairá amanhã", afirmou.

 

Minc participou de reunião no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e com o governador de Rondônia, Ivo Cassol, para resolver as últimas pendência para o aval do governo de Rondônia para a construção da usina. Segundo o ministro, a questão das reservas ambientais já está resolvida. Falta apenas resolver, segundo ele, questões como as compensações financeiras que o consórcio Enersus, responsável pela construção da hidrelétrica, terá de repassar ao governo do estado pelo impacto social criado pela usina.

 

Minc informou que serão criados dois parques nacionais de conservação ambiental - um de 180 mil hectares, que é uma área estadual que será repassada à União; e outro de 130 mil hectares que faz parte da reserva Bom Futuro.

 

Outra parte da área de Bom Futuro - cerca de 70 mil hectares hoje ocupados por 5 mil famílias - será transformada em área de proteção ambiental (APA) estadual. Uma terceira área de Bom Futuro, também de 70 mil hectares, será transformada em floresta estadual. Para isso, segundo Minc, será editada uma medida provisória.

 

O ministro informou que o governador Ivo Cassol demonstrou disposição em dar o aval para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) possa conceder a licença.

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