WILTON JUNIOR/ESTADAO
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'Não se pode estabelecer culpabilidade antes que ela exista', diz Doria sobre Temer

Prefeito de São Paulo afirma que 'não cabe a nós, nem à opinião pública, nem ao Poder Executivo, tampouco aos jornalistas, mas sim ao Judiciário' decidir sobre culpabilidade do presidente

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2017 | 13h03

BRASÍLIA - Em visita ao Congresso Nacional, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) declarou nesta quarta-feira que somente o Judiciário deve decidir sobre a culpabilidade ou não do presidente Michel Temer, alvo de denúncia da Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva. 

"Não se pode estabelecer culpabilidade antes que ela exista, nem estabelecer juízo que não cabe a nós, nem à opinião pública, nem ao Poder Executivo, tampouco aos jornalistas, mas sim ao Judiciário. O Judiciário que deve tomar essa decisão", afirmou.

Ao ser questionado sobre a atitude do presidente de atacar a PGR durante pronunciamento feito nesta terça-feira, 27, Doria respondeu que é preciso garantir o direito de defesa do presidente. 

Doria possui uma agenda extensa em Brasília nesta quarta. Pela manhã, visitou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), além dos líderes do PSDB nas duas Casas, senador Paulo Bauer (SC) e o deputado Ricardo Tripoli (SP). Possível candidato à presidência em 2018, o prefeito foi tratado como celebridade nos corredores do Congresso.

Ele disse que o objetivo dos encontros foi demonstrar apoio às reformas trabalhista e previdenciária - a segunda, entretanto, com um texto "mais enxuto" para assegurar a aprovação ainda este ano, de acordo com o prefeito. 

"O apoio às reformas é o apoio ao Brasil, à governabilidade. O governador Geraldo Alckmin e eu temos sistematicamente nos manifestado no sentido de proteger o Brasil e garantir a governabilidade. Não se trata de fazer a defesa do presidente Temer, e sim do Brasil", disse.

Indagado se Temer ainda possui condições de comandar o País, Doria afirmou: "A governabilidade existe. Estamos aqui. Ele ponderou, contudo, que a decisão sobre a permanência ou não do partido na base aliada do governo terá que ser definida pelo Diretório Nacional da legenda.

"Cabe à Executiva tomar essa decisão de prosseguir ou não. Minha visão é da governabilidade e de evitar instabilidade econômica. O sentimento é de responsabilidade", opinou. 

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