Não se pode ''demonizar'' senador, reage Dilma

Ministra defende apuração de suspeitas, mas sem lançar aliado ?aos leões?

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2009 | 00h00

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aproveitou a crise no Senado para avançar na campanha pelo Planalto em 2010. Sempre arredia a comentários políticos, ela ficou à vontade numa entrevista ontem sobre as irregularidades que teriam sido cometidas pelo senador aliado José Sarney (PMDB-AP). Em declarações impactantes e ao mesmo tempo bem medidas, a candidata de Lula à Presidência pregou a apuração de todas as denúncias e disse que não se pode "demonizar" ninguém.Na longa entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência, ela fez ataques aos senadores do partido oposicionista DEM, adversários certos na disputa do próximo ano, intercalados com defesas da transparência na administração pública. Ao comentar notícia de que Sarney não declarou à Justiça Eleitoral a casa onde mora, em Brasília, a ministra defendeu a apuração do fato, mas disse que o aliado não poderia ser jogado aos "leões". "Acho que nada deve ser ocultado. O governo não defende ocultação de nada.""Por outro lado, não concordo em demonizar o presidente Sarney e responsabilizá-lo por toda a crise." Dilma ressaltou que é preciso avaliar que irregularidades do Senado ocorrem há mais de 15 anos. Ela afirmou que as contratações, que teriam ocorrido de forma secreta, e a emissão de passagens aéreas para familiares dos parlamentares foram de responsabilidade da primeira-secretaria do Senado, ocupada pelo DEM. "Estranhamente o DEM, agora, pede o afastamento do presidente Sarney", disse Dilma. A ministra tentou se afastar da imagem de quem protege um amigo apenas por lealdade. "Eu sou inteiramente a favor de toda transparência no Senado e da apuração das responsabilidades. Também sou a favor que se garanta que o Senado se aperfeiçoe", afirmou. Dilma pediu "cautela" de aliados e oposicionistas nesta crise. "Aí tem uma prática que não está correta, que é aquela de achar que jogar uma pessoa aos leões é o caminho para solucionar questões éticas." Em suas palavras cuidadosas, a ministra negou ter atuado como interlocutora de Lula nas conversas com Sarney. Dilma relatou que na noite da última terça-feira recebeu em sua casa o presidente do Senado, que tinha pedido o encontro. Ela ressaltou que Sarney só a procurou porque Lula estava no exterior. Na conversa, que foi acompanhada pelo chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, a ministra pediu a Sarney que, antes de tomar qualquer decisão, aguardasse a volta de Lula.

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