Não se assustem com o PT, diz Tasso

Não haverá quebra de contratos nem mudanças bruscas na economia brasileira, se o PT vencer as próximas eleições. O Brasil é um país seguro para o investidor, está livre de contágio da crise argentina e tem boas condições de crescimento. O sistema político funciona e a economia avançou nas reformas. A corrupção vem sendo combatida e já foram derrubados um presidente da República, um presidente do Senado e um dos senadores mais influentes.Estas foram as principais mensagens políticas transmitidas a cerca de 120 pessoas em Nova York, na maior parte ligadas a grupos com interesses no Brasil, que participaram nesta segunda-feira de um café da manhã com o governador do Ceará, Tasso Jereissati, e os presidentes da Petrobrás, Francisco Gros, do BankBoston, Henrique de Campos Meirelles, da Sadia, Luiz Fernando Furlan, do Grupo Bunge, Alberto Weisser, e com o vice-presidente do Banco Sul América, Roberto Teixeira da Costa. A democracia brasileira, segundo Jereisstati, não permite nenhum tipo de grande susto pós-eleitoral. Não há, disse o governador, nenhum risco de quebra de contratos nem de um novo surto de desapropriações. "Sou empresário e continuo investindo com confiança e cuidando do patrimôniode minha família", acrescentou. O governador cearense disse que o PT mudou, que seu programa de governo não é muito diferente das propostas apresentadas pelo PSDB e que ninguém deve esperar surpresas. A sociedade amadureceu, argumentou o governador, e será impossível a qualquer candidato, à direita ou à esquerda, assumir o poder e mudartudo sem grande apoio social.Admitiu que os partidos brasileiros são frágeis e que esse é o único ponto em que o Brasil se parece, "mas não tanto", com a Argentina. As possibilidades de corrupção, disse Jereissati, foram reduzidas com a abertura da economia e com a desestatização. Quando lhe perguntaram qual a estratégia do PSDB para o caso de a candidatura do ministro da Saúde, José Serra, não decolar, o governador se desviou da questão. Preferiu responder que será impossível o governo perder a eleição, se as alianças que o sustentam forem mantidas. Henrique de Campos Meirelles, presidente mundial do Bankboston, comentou a crise argentina e procurou mostrar como o Brasil pôde escapar do contágio. O Brasil, disse Meirelles, desvinculou sua moeda do dólar há mais tempo, foi mais longe na política de reformas e adotou um regime de responsabilidade fiscal. Além disso, acrescentou, o câmbio flutuante foi muito bem administrado pelo Banco Central.Francisco Gros retomou o tema da eleição, afirmando que o vencedor, qualquer que seja, terá de fazer alianças para governar. Isso limitará seu poder de introduzir mudanças na economia brasileira. "Foi o que aconteceu com o atual governo, que não conseguiu implementar toda a suaagenda de mudanças", acrescentou. O mais preocupante, segundo Gros, é a fase da campanha, porque qualquer coisa que se diga em Mossoró poderá imediatamente repercutir em todo o mundo. É desejável, disse o presidente da Petrobrás, que "a ficha caia logo" e os candidatos percebam que suas declarações de campanha terão efeitos externos.

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