'Não saio', diz Renan; Lula defende voto aberto em cassação

PSOL protocola quarta representação contra o senador por suposto desvio de verba para peemedebistas

Rosa Costa e Christiane Samarco,

06 de setembro de 2007 | 11h54

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou nesta quinta-feira, 6, a possibilidade de renunciar ao cargo. "Não saio absolutamente. Fui eleito para cumprir um mandato de dois anos e só a decisão do plenário encurtará esse mandato. Fora disso não há hipótese", disse Renan ao ser indagado sobre a possibilidade de renunciar à presidência da Casa, caso seja inocentado em plenário, pelo fato de perder as condições políticas para permanecer no comando.    Veja também:   Ouça trechos da entrevista de Lula Veja a cronologia do caso Renan Íntregra do relatório que pede a cassação de Renan  Entenda as três frentes de investigação contra Renan  O Conselho de Ética aprovou na quarta-feira o parecer que pede a cassação do senador. Na próxima semana, é a vez do plenário votar, em sessão e voto secreto. Em entrevista a rádios nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o voto aberto no caso. "Nem é importante dizer se sou a favor ou contra ao voto secreto". "Por mim, da mesma forma que falava como oposição, se tivesse numa comissão qualquer votaria e diria o que estava votando, inclusive no processo contra Renan", afirmou.  Apesar disso, Lula ressaltou que defende o direito de defesa do aliado. O presidente negou que o governo estivesse sendo pressionado pelo PMDB para intervir na votação no Senado contra Renan. Renan negou que se sinta traído pelos seus colegas, que votarão o relatório favorável à cassação do seu mandato, na próxima quarta-feira. "Muito pelo contrário. Os senadores vão ler os autos sobre as acusações falsas a mim feitas e vão decidir de acordo com as suas consciências, no voto secreto e na sessão secreta, o que vão fazer", afirmou. Para Renan, o PT continua sendo o aliado fiel do qual não tem motivo de duvidar. "O PT sempre terá um comportamento de aliado, que é proporcional ao comportamento que eu sempre tive com ele. De modo que a minha relação com o PT nunca esteve tão boa como agora", disse. Ele voltou a afirmar que é inocente e que vai ganhar em plenário "porque a verdade sempre ganha; a perseverança sempre mostra a verdade". "Quem está acompanhando o processo sabe, tem certeza que eu sou absolutamente inocente e que vai chegar a hora em que isso será provado. A única coisa que eu vou fazer é não deixar que haja pressão sobre os senadores. Eles vão escolher livremente, de acordo com suas consciências".  A renúncia de Renan à presidência do Senado só não poderia suspender a votação no plenário - a legislação diz que depois de aberto o processo não há mais como a renúncia produzir o efeito de que desfrutaram, por exemplo, senadores como José Roberto Arruda (PSDB-DF), hoje governador do Distrito Federal, e Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), morto há dois meses. Eles renunciaram antes da abertura do processo por quebra de decoro, mantiveram os direitos políticos intactos, disputaram a eleição seguinte e se reelegeram. O Planalto já discute a possibilidade do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) assumir o comando da Casa. Apesar da negativa de Renan, o assunto foi discutido na quarta-feira com o presidente, com o próprio Sarney, que almoçou com Renan, com o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), e até, em telefonemas, com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que se preparava para deixar o Haiti e voltar ao País.  Oposicionistas esperam mais denúncias no fim de semana prolongado e acham que o clima não é favorável a Renan depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir processo contra os 40 acusados do mensalão. Renan é acusado de ter tido contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Na tentativa de comprovar renda para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento, Renan apresentou documentos inconsistentes. Sessão secreta Além do voto secreto, a sessão que decidirá a de perda de mandato do senador Renan também deverá ser secreta, segundo a  Secretaria-Geral da Mesa.  Segundo a  Constituição, no caso de ser provado a quebra de decoro por parte de Renan, a perda de mandato será decidida pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta. Já o artigo 197,  estabelece que a sessão será transformada obrigatoriamente em secreta quando o Senado tiver de se manifestar sobre perda de mandato.  Os senadores vão divulgar somente  o resultado da votação secreta que vai recomendar a perda de mandato ou a absolvição do presidente da Casa.  Durante a sessão,  Renan disse que distribuir aos senadores um memorial resumindo os fatos que se sucederam desde a representação ajuizada pelo PSOL contra ele. "Eu quero apenas que os senadores entendam, observem o memorial que vou distribuir, que demonstra a verdade, todas as verdades que haverão de preponderar neste processo. Porque a verdade sempre vence", declarou Renan.    Novas acusações A Polícia Federal interroga nesta quinta o advogado Bruno de Miranda Lins, que afirmou, em depoimento à Polícia Civil de Brasília há um ano, ter testemunhado um gigantesco esquema de coleta de recursos desviados do governo federal para políticos do PMDB. O dinheiro teria saído de vários ministérios, subtraído de contratos de obras públicas, para esses políticos, entre os quais o presidente do Senado e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (RR). O PSOL informou protocolou nesta tarde, na Mesa Diretora do Senado, uma nova representação contra Renan, para investigar esta denúncia. Esta será a terceira representação do partido contra Renan.Em setembro de 2006, Lins denunciou o esquema à polícia, mas as informações foram engavetadas pelo delegado e acabaram nas mãos de chantagistas, que tentaram achacar os políticos e empresários citados. Há um mês, a direção da Polícia Civil descobriu o golpe e mandou cópia do depoimento para a Polícia Federal.  Depois de vários dias à procura de Lins, só na terça-feira à noite a PF conseguiu localizá-lo. O procurador-geral do república, Antonio Fernando Souza, também verificará se há elementos úteis para o inquérito, aberto por ele há um mês no Supremo Tribunal Federal, para investigar suspeitas de enriquecimento ilícito, uso de documentos falsos, prevaricação e crimes financeiros que pesam contra Renan. Se isso se confirmar, alcançará os demais políticos citados. Renan tem dito que se trata de mais uma calúnia. Jucá também nega a acusação.  (Com Agência Senado) Texto atualizado às 14h25

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