''''Não saio absolutamente'''', diz Renan sobre renúncia

Para senador, só decisão do plenário pode tirá-lo da presidência da Casa, mas seus aliados admitem que saída do cargo é única solução honrosa

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2007 | 00h00

Na berlinda, à espera da votação do projeto de resolução de cassação de seu mandato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou ontem que esteja estudando a possibilidade de renunciar ao cargo, conforme o Estado revelou. "Não saio absolutamente. Fui eleito para cumprir um mandato de dois anos e só a decisão do plenário encurtará esse mandato. Fora disso não há hipótese", disse.Apesar da negativa, interlocutores do peemedebista afirmam que a renúncia à presidência da Casa seria a única saída honrosa. Alegam que, mesmo sendo absolvido pelo plenário na quarta-feira, Renan não teria mais estatura para continuar no comando do Senado.A orientação, de acordo com aliados do presidente da Casa, estaria sendo dada pelo senador José Sarney (PMDB-AP). Os dois teriam discutido o assunto em um almoço com o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO) e, até em telefonemas com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que também é peemedebista. Ou seja, o Planalto, mais uma vez, recorreu a Sarney para solucionar uma crise. Esta já dura 100 dias e seus estragos, daqui para a frente, poderão até impedir a aprovação da emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.CONFIANÇAAo chegar ao Congresso ontem de manhã, um dia depois de ter visto o Conselho de Ética aprovar o parecer que recomenda sua cassação por 11 votos a 4, Renan negou que se sinta traído pelos colegas. "Muito pelo contrário. Os senadores vão ler os autos sobre as acusações falsas a mim feitas e vão decidir de acordo com suas consciências, no voto secreto e na sessão secreta, o que vão fazer", afirmou.Desde o início da avalanche de denúncias envolvendo seu nome, o presidente do Senado tem assegurado sua inocência. Ontem, mais uma vez, procurou demonstrar confiança. Porque, segundo ele, "a verdade sempre ganha, a perseverança sempre mostra a verdade". "Quem está acompanhando o processo sabe, tem certeza que eu sou absolutamente inocente e que vai chegar a hora em que isso será provado", insistiu. "A única coisa que eu vou fazer é não deixar que haja pressão sobre os senadores. Eles vão escolher livremente, de acordo com suas consciências." Segundo aliados, Renan poderia renunciar ao cargo de presidente do Senado e, com o gesto, angariar votos para que seja absolvido no plenário. Para que seja cassado, são necessários 41 votos (maioria absoluta). Votam todos os 81 senadores, inclusive o próprio Renan.Sua renúncia à presidência do Senado só não poderia suspender a votação no plenário - a legislação diz que depois de aberto o processo não há mais como a renúncia produzir o efeito de que desfrutaram, por exemplo, senadores como José Roberto Arruda (PSDB-DF), hoje governador do Distrito Federal pelo DEM, e Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), morto há dois meses. Eles renunciaram antes que fossem abertos processos por quebra de decoro parlamentar, mantiveram os direitos políticos intactos, disputaram a eleição seguinte e se reelegeram. CLIMA DESFAVORÁVELOposicionistas esperam mais denúncias no fim de semana prolongado. E avaliam que o clima não é favorável a Renan, especialmente depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir processo contra os 40 acusados do mensalão.No processo que será votado quarta-feira, Renan é acusado de ter tido contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Na tentativa de comprovar renda para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento, ele apresentou documentos que foram considerados inconsistentes.

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