'Não queremos ver o Eduardo morrer duas vezes', diz Marina

Em delação premiada, ex-diretor da estatal citou envolvimento de Eduardo Campos em suposto esquema de propinas

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2014 | 14h25

 Em campanha em Brumado (BA), 555 quilômetros ao sul de Salvador, a candidata do PSB à presidência, Marina Silva, classificou como "ilação" a citação ao ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em 13 de agosto, nas delações premiadas feitas pelo ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobrás Paulo Roberto Costa.  “A lista que foi divulgada ainda não traz as informações sobre o depoimento no conjunto das informações que ele está se dispondo a prestar”, argumentou a candidata  

Sem se aprofundar no tema, Marina afirmou que "o fato de haver um investimento da Petrobrás em seu Estado não dá o direito, a quem quer que seja, de colocá-lo (Campos) na lista dos que cometeram irregularidades" na empresa. "Neste momento, qualquer julgamento, qualquer acusação sobre uma pessoa que não está aqui para se defender pode ser uma grande injustiça”, disse Marina. “Nós estamos aguardando as investigações porque queremos a verdade, porque não queremos ver Eduardo morrer duas vezes: pela fatalidade, ou por qualquer tipo de leviandade com seu nome e sua memória. Eduardo era de um dos estados que sediavam empreendimentos, mas ele não pode ser acusado a priori pelo simples fato de sediar um empreendimento", disse. 

Marina ainda aproveitou para ironizar os recentes ataques que têm recebido por parte da campanha da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), que critica a suposta falta de prioridade que o programa de governo de Marina dá à exploração de petróleo e que levanta a suspeita de futura privatização da empresa.  

"Quem está ameaçando o pré-sal não somos nós, nós vamos manter a exploração no pré-sal e usar os recursos para a saúde e para a educação, para que a gente tenha conhecimento, ciência, tecnologia, informação, para ajudar a melhorar o futuro do Brasil", disse. 

"Quem ameaça o pré-sal é a corrupção que está assolando a Petrobrás."  O candidato a vice-presidente na chapa de Marina, Beto Albuquerque, também defendeu Campos das acusações. "Repudio as ilações e a vilania que estão tentando fazer contra Eduardo Campos depois que ele morreu", disse. "Quando ele estava vivo, não tinham coragem de enfrentá-lo. Agora, começam a levantar acusações, como se ele pudesse se defender."

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