'Não postulo e não serei presidente do Senado', diz Aécio

Ele entende que o comando do Congresso cabe 'às forças majoritárias'

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2010 | 20h13

BRASÍLIA - O senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) disse neste sábado, 6, ao Estado que não existe articulação política para levá-lo à presidência do Senado, a despeito da manifestação do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), neste sentido. "Não postulo, não articulo e não serei presidente do Congresso", afirmou o senador pouco antes de embarcar para uma viagem de descanso ao exterior.

 

Ele entende que o comando do Congresso cabe "às forças majoritárias". Aécio defendeu o respeito à proporcionalidade na ocupação dos espaços de poder do Parlamento, até como garantia à oposição de que não será atropelada pela maioria governista. Reafirmou, também, que o PSDB respeitará o resultado das urnas: "Faremos uma oposição firme ao governo, com uma cobrança clara em relação aos compromissos e às promessas feitas pela candidata Dilma Rousseff."

 

A edição de sábado do Estado mostrou que, com apoio de partidos da base governista, foi deflagrada uma articulação política para Aécio Neves conquistar a presidência do Senado, acenando em troca com apoio para os parceiros de empreitada controlarem a Câmara. Na chamada "operação Aécio", bancada por PSDB e DEM e com o apoio informal de setores do PSB e do PP - podendo ter a adesão de PDT e PC do B -, seria formada uma ampla aliança entre esses partidos. Isso garantiria ao grupo uma expressiva quantidade de votos na Câmara e no Senado, ameaçando a parceria entre PMDB e PT para controlar as duas Casas.

 

A seguir os trechos principais da entrevista com o senador eleito:

 

O senhor está articulando com aliados do governo para chegar à presidência do Congresso?

 

Não postulo, não articulo, não disputo e não serei presidente do Congresso. É natural que a presidência do Senado caiba às forças majoritárias, o que não é o nosso caso. Quem pensa que eu estou articulando isto, ou não me conhece, ou não conhece o Congresso. Fui parlamentar por 16 anos e sempre defendi, e continuo defendendo, o respeito à proporcionalidade na ocupação dos espaços no Parlamento. Ao contrário do que pensam alguns, ela não atende apenas à maioria. Ela também garante às minorias espaço para se manifestarem nas discussões dos grandes temas. Isso é essencial para o equilíbrio das forças políticas e para evitar atropelos.

 

Mas quando o senhor presidiu a Câmara, o PSDB não era o partido majoritário.

 

Quando disputei a presidência da Câmara, a candidatura só foi posta no momento em que o PSDB formou com o PTB um bloco majoritário, formalizado junto à Mesa Diretora. A partir daí, lancei minha candidatura, respeitando o regimento da Casa. Esta especulação é absolutamente distante da realidade. Repito: não postulo e não serei presidente do Senado.

 

E o senhor postula a presidência do PSDB ou a liderança do partido no Senado?

 

Não postulo nada e não quero cargo algum. Eu serei um senador por Minas Gerais, cumprindo o meu papel em defesa dos interesses de Minas e na busca, aí sim, da construção de pontes políticas. Pontes, inclusive, com setores do governo para viabilizar reformas que sejam do interesse do País. Serei um senador, entre os 81 que irão compor a Casa, na busca de consensos que interessem ao País.

 

 

Mas o governador Cid Gomes, do PSB, está defendendo publicamente o seu nome para presidir o Senado. Fiquem tranquilos. Agradeço a posição daqueles que têm se manifestado, mas é só isto e ponto final.

 

O senhor foi avisado ou consultado sobre essas manifestações?

 

Minha participação nisso é zero, zero, zero. Não estou conversando com ninguém. Não falei com um único senador sequer sobre presidência do Senado. Passadas as eleições, não conversei com nenhum outro senador fora do meu partido. Isto é uma ilação totalmente descabida. Não postulo cargos no Senado nem no partido e acho fundamental, para o funcionamento do Congresso, o respeito à proporcionalidade das bancadas na composição da direção.

 

Em algum momento o senhor falou em governo de coalizão?

 

Essa ideia de governo de coalizão é completamente absurda, não existe. Eu compreendo que, neste momento, existam especulações de toda ordem. Tenho muita tranquilidade em relação ao momento que estamos vivendo, mas falar em coalizão é algo absolutamente fora do contexto. O governo vai governar, e nós, do PSDB, vamos fazer oposição.

 

Como será a oposição do PSDB ao governo Dilma?

 

A oposição que vamos fazer por determinação da população brasileira - e todo o PSDB está absolutamente unido em relação a isto - será uma oposição vigorosa em relação ao governo, à preservação das instituições democráticas Respeitaremos a vontade da população brasileira, que escolheu o PT para governar e nós para fazermos oposição. Como já disse ao Estadão, só existe governo forte quando há uma oposição forte. Pois então, faremos uma oposição forte, embora sempre muito generosa para com o Brasil. Não seremos como o PT lá atrás, que encontrava vício de origem em tudo o que vinha do governo.

 

Quando o senhor fala em oposição generosa para com o Brasil, há uma interpretação, inclusive de governistas, de que será uma oposição suave em relação ao governo.

 

Ao contrário. Faremos oposição com uma cobrança clara em relação aos compromissos e às promessas feitas pela candidata Dilma Rousseff. Será uma oposição firme, mas responsável. Propostas de interesse do Estado brasileiro e da população brasileira, é óbvio que temos que nos sentar à mesa e discutir. E não, repito, fazer o que fez o PT durante os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Se dependesse do PT, não teríamos a estabilização da moeda e a modernização da economia.

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