Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

'Não posso ser condenado porque um lobista anotou meu nome para uma reunião que nunca existiu'

Ex-ministro Gilberto Carvalho reage contra indiciamento da PF por suspeita de 'compra' de medida provisória

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2017 | 16h27

Em nota distribuída na tarde desta terça-feira, 16, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carvalho qualificou de "guerra jurídica e política" motivada pelo "ódio que cega" seu indiciamento pela Polícia Federal na Operação Zelotes. 

Carvalho defende as medidas provisórias que beneficiaram a indústria automobilística que, segundo a PF, foram editadas pelo governo do PT em troca de benefícios pessoais.  "As medidas provisórias de estímulo à descentralização da produção visavam unicamente a esses objetivos, de fazer o desenvolvimento se espalhar por regiões como o Nordeste e o Centro Oeste", diz a nota.

Carvalho, que foi indiciado ao lado de outras 12 pessoas, entre elas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reitera nunca ter se reunido com os lobistas acusados de comprar a MP, embora seu nome conste de uma agenda de anotações. 

"Não posso ser condenado porque um lobista anotou meu nome para uma reunião que nunca existiu.  Espero que o Ministério Público analise com o devido cuidado esta denúncia infundada e não aceite mais esta demonstração clara de perseguição política por parte de membros de um órgão do Estado brasileiro. Vou lutar até às últimas consequências para defender a única riqueza real que possuo: a minha honra!", diz o ex-ministro.

Leia a íntegra da nota:

Recebi com surpresa e absoluta indignação a notícia do meu indiciamento, assim como do Presidente Lula neste processo da Operação Zelotes. Só a decisão premeditada de fazer valer tudo nessa guerra jurídica e política pode ter levado membros da PF a tomar esta iniciativa. Só o ódio que cega pode ter levado funcionários públicos que deveriam zelar pela respeitabilidade de sua Instituição a praticar tamanho absurdo. Tive a honra de servir por oito anos ao Presidente Lula e acompanhar seu zelo em fazer crescer nossa economia, a distribuição da renda e o estímulo à produção automobilística. As medidas provisórias de estímulo à descentralização da produção visavam unicamente a estes objetivos, de fazer o desenvolvimento se espalhar por regiões como o Nordeste e o Centro Oeste. 

Os delegados que nos interrogaram sabem disso. Leram nos nossos olhos e na nossa emoção indignada esta verdade. Se agentes bandidos e parlamentares que apoiaram o golpe se envolveram em negociatas com as empresas, que sejam eles punidos, e não nós que só fizemos lutar por este País. Não é justo que sejamos perseguidos por um ódio que não cultivamos, pelo simples fato de contradizermos interesses de um projeto que agora destrói o País. 

Não posso ser condenado porque um lobista anotou meu nome para uma reunião que nunca existiu.  Espero que o Ministério Público analise com o devido cuidado esta denúncia infundada e não aceite mais esta demonstração clara de perseguição política por parte de membros de um órgão do Estado brasileiro. Vou lutar até às últimas consequências para defender a única riqueza real que possuo: a minha honra!

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