'Não podemos ser Américo Pisca-Pisca', diz Gilmar em defesa da estabilidade

Ministro cita personagem da fábula de Monteiro Lobato que queria mudar o mundo durante leitura de seu voto que desempatou julgamento contra cassação da chapa Dilma-Temer

Gabriel Navajas, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 21h44

Durante leitura de seu voto no julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta noite de sexta-feira, 9, o ministro Gilmar Mendes citou o personagem Américo Pisca-Pisca, da fábula Reformador do Mundo, do escritor Monteiro Lobato. 

Américo Pisca-Pisca nunca estava satisfeito com nada. Sempre colocava defeito em tudo. Para ele, a natureza era imperfeita. Até que, um dia, conversando com a personagem dona Benta, disse que o certo era que as jabuticabas deveriam estar no pé de abóbora, por causa do seu caule pequeno, e que as abóboras teriam de estar na jabuticabeira por ser uma árvore robusta. Ele, então, dorme sob a árvore e, de repente, acorda quando uma jabuticaba cai em sua cabeça. A parti dali, reflete e chega à conclusão de que o mundo não era tão errado assim.

"Se o mundo fosse arrumado por mim, a primeira vítima teria sido eu. Eu, Américo Pisca-Pisca, morto pela abóbora postra, por mim, no lugar de uma jabuticaba. Deixemo-nos de reforma. Fique tudo como está, que está tudo muito bem", diz o personagem. Américo Pisca-Pisca resolveu, assim, seguir menos descontente com o mundo, mas sem corrigir as coisas.

A referência ao personagem de Monteiro Lobato foi feita por Gilmar para reforçar o voto dele contra a cassação da chapa vencedora das eleições de 2014. Ele defendeu a estabilidade política, reiterou que a corte eleitoral não é espaço para solucionar a crise política do País, disse, aos gritos, que o processo não representava uma "reintegração de posse", afirmou não tratar-se de um "fricote processualístico" e arrematou: "Não sejamos Américos Pisca-Pisca".


 

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